sexta-feira, 3 de junho de 2016

Turismo: um campo que exige competênciaS

Há alguém que dizia que "Quem só Direito sabe, não sabe direito". 

Acredito que isso se aplica ao Turismo: Quem só Turismo sabe, não sabe turismo (direito). 

É muito comum lermos em livros e ouvirmos dizer por aí que o Turismo é um campo multifacetado, multidisciplinar, multi qualquer coisa. Mas o que isso, de fato, significa?

Isso significa que saber sobre viagem não lhe capacita para o saber sobre Turismo. Isso significa que o para compreender sobre Turismo você precisa conhecer múltiplas áreas: economia, sociologia, antropologia, marketing, história, geografia, comunicação, filosofia, psicologia, biologia, administração, RH, contabilidade... Ufaaa!!! A lista é grande!! Enorme, pra dizer a verdade. 

Saber turismo é mais do que ter conhecimento sobre todos esses campos; é ter a competência de articular esses conhecimentos e perceber que existe uma interligação entre eles, aquilo que Morin chamou de complexidade, o latim complexus, tecer em conjunto!

Não sou filósofa, mas como turismóloga tenho a obrigação de saber que a Filosofia Clássica (Grega) cunhou dois termos importantes: doxa, a opinião, que é também, ironicamente, chamada de "A falha do filósofo"; e episteme, que por sua vez, refere-se ao conhecimento, o conhecimento, dito verdadeiro, não por ser verdade em si e, portanto, irrefutável, mas por ter natureza científicaA oposição da episteme à doxa se dá pelo fato de que o conhecimento se opõe à opinião, saber infundado ou irrefletido.

Discutir turismo não pode e nem deve se reduzir à doxa; não é para isso que precisamos de bacharéis em Turismo. Ser Bacharel em Turismo é pensar no nível epistêmico, calcado em conhecimento com fundamento científico, conduzido por uma teoria e analisado à luz de um método.

Apropriar-se dos termos técnicos da área e das teorias que alimentam o Turismo para compreender sua complexidade é fundamental para que seu discurso transcenda a Doxa e, assim, você possa, quem sabe, alcançar a espisteme do turismo, que preciso dizer, transcende a noção de "um destino de sol e mar".

sábado, 30 de abril de 2016

Roteiro Turístico, sobre a angústia da escrita

Eis então, que depois de colecionar quatro anos de rabiscos dispersos tomo a coragem de escrever um artigo o que tenho pensado acerca do tema roteiro turístico.

Dou a impressão de escrever muito depressa, mas escrever sobre roteiro turístico me traz um sofrer imenso...

Há sempre um limite nas páginas que posso escrever e mesmo que escrevesse 300 páginas, ainda assim isso não retrataria a verdade, senão a desordem de meus pensamentos em uma tentativa vã de organização do saber, tão disperso, tão ignorado, tão banalizado.

Este escrito é para mim um desafio, e não resposta.

Ao contrário de muitas outras publicações em que as considerações são finais, as minhas são pontos (no plural) de partida, pois ainda restam muitas incertezas e outras inúmeras contradições, para as quais ainda não tenho repsostas, mas também não sei se são de respostas que eu preciso.

Mas assim é que se faz ciência, e talvez este seja seu grande mérito: nunca se encontra o que se procura. No meu caso, eu sempre encontro o que não procuro e me vejo ali, em meio a um vespeiro, ou abrindo a caixa de Pandora.

Quando penso estar frente ao simples e ao óbvio, me dou conta que inverter o problema se faz necessário.


Resta, portanto, a angústia, própria de um pensamento inacabado, que não pode, por sua complexidade, abarcar o todo.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Recompensas se dão em pequenos atos...

Em janeiro passado participei de duas formaturas, tendo sido professora homenageada dos cursos de Turismo (que acompanhei por 2 anos) e de Logística (tendo acompanhado-os apenas por um semestre). 

Na primeira cerimônia estavam presentes alunos dos cursos de Logística, Marketing, Turismo e Processos Gerenciais. Não posso ter a falsa modéstia de deixar de mencionar alguns pontos que me deixaram super feliz no primeiro ato solene:

1 - O fato de ter sido a única mulher presente na composição da banca solene, composta por outros professores e autoridades acadêmicas;

2 - O fato de ter sido a única presente a ter lecionado para os quatro grupos;

3 - O fato de ser a única muçulmana (esse foi fácil!)

Bem, afora o momento ego inflável, queria narrar algumas coisas que julgo que não podem passar desapercebidas.

Quando fui comunicada pela turma de turismo, ainda no semestre 2013.1 que seria a professora homenageada, durante a última aula do semestre, sem pensar duas vezes falei "A melhor homenagem que vocês poderiam me fazer seria ter sucesso profissional".

Bom, no discurso da aula da saudade  repeti isso e, apesar de ter tido a chance de discursar, deixai passar porque eu costumo ser prolixa demais e há dias (um mês!) tenho pensado nas palavras que eu gostaria de dizer e pensei em usar este canal para comunicar.

No enanto, ontem, no meu primeiro dia de aula com a turma de primeiro período de turismo, uma aluna me perguntou: "Desses três anos que a senhora está aqui na faculdade, qual foi a coisa que mais lhe deixou feliz?"

Eu levei alguns segundos pensando pra conseguir responder (o que não é comum pra mim...) muitos momentos passaram pela minha cabeça... Resolvi, então, pegar o mais recente:

Em uma das orientações de TCC um aluno chegou comigo e disse que o método do seu trabalho seria o funcionalista. Eu, depois de pensar um pouco, disse que não e justifiquei o porquê. Eis então o mento que me fez sentir que valia a pena e que fui "homenageada" com uma grande recompensa: sem se "deixar abater" pelo meu ponto de vista, o aluno disse "Não, Rebecca, é funcionalista por causa disso, disso e disso".

Ufaa!!!!

Ele estava certo!!!!

Isso me deixou     E X T R E M A M E N T E     feliz!!!

Tenho um aluno em especial, que solta algumas indiretas dizendo que eu não aceito o ponto de vista dos alunos. Bem, na verdade, isso não é verdade. Eu costumo defender com muita garra meus pensamentos e pontos de vista simplesmente porque eles são MEUS! E, enquanto professora, espero que vocês faça o mesmo. Que defenda os seus, com argumentos sólidos!
Verdadeiramente, eu não me incomodo em ver que o ponto de vista dos alunos estão corretos (como o de Bruno estava), desde que eles sejam argumentados e fundamentados.

Apesar de nas solenidades de formatura, bem como na aula da saudade, eu ter ocupada a cadeira de professora homenageada, a homenagem me foi feita meses antes, quando Bruno mostrou domínio de conhecimento e potencial de argumentatividade para defender seu ponto de vista.

Obrigada, Bruno!!

Na aula da saudade com Bruno, entregando a réplica da placa

Obrigada formandos de Turismo 2014.1 pelo reconhecimento, afinal de contas, não posso jamais deixar de reconhecer que a homenagem é em si um reconhecimento pelo meu trabalho e pelo período que pudemos compartilhar juntos conhecimentos, alegrias, tristezas, anseios, sonhos e todos os ouros clichês.

Na solenidade de formatura, com minha pupila Juliane Brasileiro,
que me surpreendeu com um senso crítico aguçado 
e com habilidades em lidar com os contra-tempos

E, o que falar de Darcilene?? Ela merece um post só para ela.
Dedicação, superação, crescimento... Um orgulho!

Werick, este certamente trará importantes contribuições 
para o corpo teórico do turismo


Tenho certeza que estou ganhando grandes colegas de trabalho!

Ah, e quanto ao discurso que eu gostaria de ter proferido, deixei de ser prolixa ao relembrar uma frase de Hermann Herse que usei em um seminário sobre avaliação alternativa que apresentei no mestrado:


"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."


Parabéns aos formandos e Sucesso!!!



P.S.: Aqueles que não tiverem fotos publicadas, não enciumem-se!! Postei fotos apenas daqueles que me enviaram ;)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Do nordeste para o Sul: Alunos da Facottur apresentam artigo científico no III Colóquio de Turismo Comunitário

Nos dias entre 28, 29 e 30 aconteceu, em Matinhos-PR, o III Colóquio de Turismo Comunitário.

O nordeste foi representado pelos alunos da Facottur – Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda, por meio de três artigos apresentados.

Confesso que o resultado das apresentações me deixaram muito feliz, com tantos elogios feitos aos trabalhos, dentre eles, o potencial para o desenvolvimento de pesquisas em nível de mestrado considerando os objetos de estudos ali apresentados.

Os trabalhos foram resultados de pesquisas desenvolvidas pelos alunos da graduação em turismo, sob minha orientação.

Um deles, o TCC de Jaqueline Araújo, que no Colóquio apresentou as potencialidades do desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária (TBC), na comunidade do Bode, no Bairro do Pina, em Recife-PE.


Aluna Jaqueline Araújo apresentando


Na mesma direção, os alunos Laura Fernanda, Leonardo Araújo e Patrícia Amorim, apresentaram as potencialidades para o desenvolvimento do TBC no bairro de São Benedito, em Olinda-PE, tendo o coco de roda como principal atrativo. Este estudo foi resultado do projeto interdisciplinar apresentados pelos alunos em 2012, no segundo período.

Alunos Laura Fernanda e Leonardo Araújo apresentando

Por fim, a aluna Márcia Santos, discutiu sobre a sustentabilidade cultural dos artesanatos ofertados na casa da Cultura de Pernambuco.


Aluna Márcia Santos apresentando


Gostaria de publicamente parabenizar aos grupos pelo trabalho e pela apresentação. Os debates gerados foram enriquecedor. E registro meu enorme prazer pela parceria em pesquisa. Fiquei imensamente feliz em ver que todos os comentários feitos para a ampliação das nossas pesquisas já haviam sido anteriormente debatidas por nós nos momentos de orientação. Parabéns, meninos! Que venham os próximos eventos!!

E, como forma de divulgação do conhecimento, prometo que breve disponibilizo os resumos dos trabalhos e os powerpoints utilizados para a apresntação.

domingo, 16 de junho de 2013

Eu não sei se deveria, mas tudo isso me deixa muito feliz!

No início do no, talvez nem tão no início, assim. Eu sentei no chão para conversar com três outras pessoas que estavam em um banco. lembro que já era um pouco tarde da noite para que aquele tempo fosse "perdido" ali.

O assunto era como nós estamos (ou estávamos?!) cada vez mais apáticos ao que está se passando no Brasil.

Naquele período era tempo de uma notícia que muito me abalara: um tal político assumia um  cargo importante no Congresso Nacional e lembro que eu, como sempre muito enfática, perguntava a eles: "Onde estamos? Onde queremos ir? Como assim ele assume tal cargo e nós não falamos nada? Compartilhar imagens no facebook não nos leva a nada e isso está longe do que se chama 'manifestação pacífica'"

Bom, preciso antes de tudo dizer que eu sou bem relaxada e de maneira geral não sou lá "reclamona", por vezes (duas só este ano!) pago 'dívidas' incoerentes só pra não me aborrecer, mas o fato é que no contexto nacional, sei não....! 
Também não sou politizada. Aliás, detesto política! - Para desespero do meu pai.

mas preciso confessar que a cada nova notícia ou vídeo com efeito viral no facebook me deixa muito feliz e até mesmo emocionada. Me parece que o Brasil, FINALMENTE acordou! Saímos da inércia!

É tempo de revolução. Só acho uma pena termos demorado tanto para nos darmos conta que nosso país não pode ser chamado de DEMO-Crático apenas pelo fato de sermos OBRIGADOS, coagidos (!!) a votar!

Concordo que devamos ir às ruas e revindicar nossos DIREITOS, os mesmo os quais os governantes pisam em cima. CIDADANIA!

Isso era o que deveríamos ter feito ainda em 2002 quando se discutia a possibilidade de o Brasil sediar a copa. Ao invés disso, torcemos a favor para que hoje, às vésperas do grande evento, quando deveríamos estar nos preparando para o grande evento, não estivéssemos - como estamos - torcendo contra (What a shame!) Disseminando vídeos e imagens negativas do Brasil e, ainda, calculando quantos os bilhões investidos para infraestrutura nos fazem falta em Saúde e Educação. Que pensássemos nisso antes e fôssemos ás ruas naquela época revindicar que tal dinheiro tivesse tal destino.

Fico feliz ao ver que rompemos com a inércia de anos! Feliz em ver que quem está encabeçando os protestos tem o bam senso de que com violência e vandalismo não chegaremos a lugar algum. Embora a polícia, sob gritos de "Sem violência", atirassem sobre os manifestantes



Mas, infelizmente, o povo brasileiro não sabe separar o joio do trigo. Basta ver a violência gerada em estádios quando o intuito é a diversão, recreação, divertimento.

Pra frente, Brasil!

"Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer!!!"

terça-feira, 11 de junho de 2013

Para finalizar, antes que chegue o fim (Interdisciplinar TUR5)

Tem tempo que não apareço por aqui e ficava pensando que devia escrever... Dizia pra mim mesma que não escrevia porque estava sem tempo (desculpas sem culpas...). Mas acho que a grande questão é que não tinha acontecido nada que valesse a pena. Mas hoje aconteceu.

Hoje o sol nasce radiante. Parecia até o nordeste que conheço, mas que estava  esquecido por causa das fortes chuvas recentes. O Sol radiante era o prenúncio de um grande dia pela frente.

Hoje meus meninos (será que posso chamar de "meus"?) no 5º período de Turismo apresentaram o último interdisciplinar das suas jornadas acadêmicas, pelo menos por aqui pelo curso de turismo. Próximo semestre é o TCC.

É preciso confessar que nossa relação não era (posso aplicar o passado?!) lá cheia de muito amor. Os alunos pareciam (eufemismo) não se adaptarem ao meu método de ensino, exigente, sempre querendo mais, sempre exigindo que questionassem, que não aceitassem o óbvio. Acho que é como aquela história da “domestificação” lá do “Pequeno Príncipe”. Mas hoje, confesso que o jeito “durão” fez valer a pena.

E se em sala de aula dei muitos puxões de orelha, venho aqui, neste espaço não tão íntimo como a nossa sala de aula, para escachar elogios a vocês:

PARABÉNS TUR5!!! Manhã e Noite. O mercado turístico de Pernambuco ganhará, sem dúvidas, uma super equipe de turismólogos! Problematizadores, pesquisadores e que sabem lidar com problemas reais!
Estou muito feliz e satisfeita com os resultados. Diz-se que os fins justificam os meios e isso tem lá seu fundamento, ter sido “carrasca” está justificado pelo sucesso na proposição dos projetos apresentados hoje.

Parabéns aos grupos da Coroa do Avião e do Forte Orange (vou citar por localidade, por não ter autorização pra citar nomes, vai que sou processada por elogiar.. Tá na moda! hehe), pela dedicação e pelo empenho, por mostrarem para vocês mesmos que quando vocês querem, vocês podem! Têm potencial para isso! Parabéns ao Engenho São João, pela garra, coragem, por estar disposto em vencer os desafios, em ir a campo “custe o que custar!”. Vila velha! Vocês deram show retomando no projeto muitos dos pontos que foram abordados em sala como sensibilização turística, avaliação do projeto, envolvimento dos autóctones... Vida longa à Trade Marketing e à Brinc’arte!

Não é fácil, eu sei, mas é como Susana Gastal me disse uma vez minha salinha fria do bloco 46 (UCS): “Se fosse fácil, estava pronto!”

Parabéns por terem sido pé no chão na proposição de vocês. Projetos com viabilidade real de implantação. Agora nos resta um novo desafio: do papel à prática! Vamos nessa???

#EstamosJuntos!

Mas não esqueçam de revisar os pontos destacados em sala ;)

#Parabéns!

E, para finalizar, uma mensagem que acho que ilustra muito bem o momento de hoje:

"Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar."
(Anatole France)


Ah, e obrigada por fazer valer a pena! 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dia nacional do Turismólogo: Carta ao estudante do Turismo remetida pelo prof. Panosso


Brasil, 01 de setembro de 2012.

Ao (à) estudante de turismo.
Expresso aqui alguns pensamentos e ideias sobre o campo do turismo e sobre as possibilidades que ele reserva para os que nele desejam atuar. Não se trata de um receituário de como ter "sucesso" na área, mas sim algumas indicações que acredito serem bem simples, porém importantes. Até creio que elas servem para outras atividades profissionais também.
Motiva-me escrever esta carta, pois no dia 27 deste mês comemoramos o dia Mundial do Turismo e, no Brasil, este também é o dia do bacharel em turismo. Portanto, um momento oportuno para reflexões sobre o tema.
De imediato, parabéns por sua coragem em escolher uma área que não raras vezes é mal compreendida e sofre preconceito em nosso país. Parabéns por sua visão de oportunidade, pois o fenômeno turístico pode trazer aprendizado, compreensão e, dependendo de sua atuação, ótimas experiências.
Você já deve saber que o turismo não envolve só a economia, mas também a sociologia, a administração, a cultura, a história, a filosofia, o meio ambiente, a geografia, a estatística, a antropologia entre inúmeras outras áreas, portanto, uma visão abrangente deve considerar a multiplicidade de campos interlaçados do turismo. Tenha isso em mente sempre.

1.Leia, leia muito
Um dos passos fundamentais para todos os estudantes é a leitura. Deve-se ler todos os materiais indicados pelos docentes. Mas não parar por aí. É importante que você busque leituras que não são indicadas em sala, avance, vá além do básico. Procure ler as revistas científicas mais importantes, tanto as nacionais quanto as internacionais, tais como a Annals of Tourism Research, a Estudios y Perspectivas en Turismo, a Journal of Travel Research, a El Periplo Sustentable... e uma infinidade delas. Busque ler as revistas indicadas para viajantes ocasionais ou frequentes, dessas que encontramos nas bancas, tais como a Lonely Planet, Viagem e Turismo, National Geographic e Horizonte Geográfico. Essas últimas revistas indicam tendências, relatam histórias, analisam destinos, enriquecem nosso conhecimento e cultura geral. Leia também os blogs de viagens, os jornais de turismo, os sites dos organismos oficiais de turismo. E, o mais importante, leia livros de turismo. Mas não vá ler somente os que você gosta, que tem bastante figuras e letras grandes. Mas sim também os grandes, pesados, complexos e profundos. Já há livros clássicos de turismo, tais como La Horda Dorada,de Louis Turner e John Ash; Sociologia do Turismo, de  Jost Krippendorf; The Tourist, de Dean MacCannell, entre outros. Esses são críticos e contundentes, que podem te levar a novas visões da realidade.


2.Participe de eventos
A quantidade de eventos na atualidade que se propõe a discutir o turismo é enorme. São eventos nacionais e internacionais, organizados por grupos universitários, cursos de graduação, prefeituras, órgãos públicos... Nesses eventos os convidados discutem temas específicos, pontos de vista sobre uma ideia, projetos de turismo, problemas do turismo, educação, profissionalização, empreendedorismo entre uma infinidade de aspectos. Sempre se pode aprender algo e conhecer os especialistas presentes, fazendo perguntas, tirando dúvidas e criando, gradativamente, seu círculo de atuação. Certa pessoa comentou comigo que quando era estudante participava de todos os eventos de turismo de sua universidade, sentava-se na primeira cadeira, fazia uma pergunta e não ia embora sem levar o cartão do palestrante. É um certo exagero, mas em alguns casos é importante agir assim.

3.Estude idiomas
Espanhol, inglês, alemão, italiano, francês ou outro qualquer. Não importa. O que vale é ser comunicativo para além de seu idioma materno. O turismo é feito de encontros, encontros levam à comunicação, comunicação necessita de um veículo e meio. Compreender e ser compreendido em uma segunda, terceira ou quarta língua é fundamental para qualquer profissional do turismo. Obviamente que no momento a língua de comunicação universal é o inglês e é por aí que você pode iniciar, ou continuar. Bom, não se esqueça de aprender bem o português. Ele é o seu primeiro cartão de visitas.
Me dirá que não tem tempo? Responderei que tempo é uma questão de prioridade.

4.Viaje mais
Lembra da frase de Santo Agostinho? "O mundo é um livro, quem não viaja lê somente a primeira página". Trata-se de um pensamento que nos diz muito e vale para os dias atuais. Ao viajar você deixará sua bolha de segurança e será um turista, se sentirá outra pessoa, encontrará novas comidas, música, língua, cheiros e sabores. Haveria aprendizado melhor para a vida de um turismólogo?

5.Conheça a história do turismo
Lembre-se, ao contrário do que diz o senso comum, o turismo é um fenômeno antigo. Alguns dizem que ele existe desde quando o ser humano passou a se deslocar na face da terra. Outros dizem que ele surge na Antiguidade. A hipótese mais provável é que o turismo, tal como conhecemos hoje, foi gestado no início do século XIX, portanto, já tem dois séculos de existência, no mínimo, e não é um fenômeno novo. Busque saber a história do turismo, desta forma você terá um conhecimento que permitirá compreender o avanço da atividade através das décadas.

6.Esteja antenado com as novas tecnologias
Esteja atento com as novas tecnologias e vislumbre como elas poderão te ajudar a desenvolver - e a envolver - a atividade. Não se preocupe em criar um produto ou um atrativo que vá mudar, revolucionar o tema, mas comece se preocupando com as possibilidades de lazer, turismo e entretenimento em seu bairro, em sua cidade, em sua região. Comece pequeno, e vá crescendo e pensando grande. As tecnologias, equipamentos, softwares, redes sociais, etc. são elementos que viabilizam as viagens das pessoas. Sem eles estaríamos perdidos.

7.Seja empreendedor
Não fique se lamuriando pelo fato de que "não te dão oportunidades", "não te valorizam", "ninguém respeita a área" e outras besteiras do gênero. O importante é a sua ação, o desenvolvimento de suas habilidades, o saber-fazer e o fazer-saber. Tenha foco, estabeleça seu plano de ações com metas temporais, que sejam de meses ou anos, e aja. Não pergunte de imediato quanto você pode ganhar atuando no turismo. Comece por perguntar como você pode trabalhar neste campo. Nem pergunte quem vai te dar emprego, mas sim quantos empregos você poderá gerar atuando na área. Deste modo, seja empreendedor, pois as maiores fortunas em turismo, as maiores agências, as maiores cadeias hoteleiras começaram com pequenos empreendimentos, com uma boa ideia e muito trabalho. O futuro é feito de nossas ações no presente, no agora.  
8.Mantenha o foco
Ao se decidir pela área que deseja atuar, mergulhe nela. Especialize-se. Se quer ser planejador ou consultor, então busque compreender esta área com leituras e experiências práticas. Vá aprendendo gradualmente, porém, com firmes propósitos estabelecidos. Não desista ao encontrar o primeiro problema. A solução dele te amadurecerá e fortalecerá para ações futuras. É assim que funciona em qualquer área. Mantenha o foco e não dê ouvidos aos invejosos, chatos e críticos de plantão. Não se engane, eles estão mais perto do que se imagina.

9.Trabalhe em grupo
Olhe para seu colega da mesma sala de aula. Ele poderá ser seu empregador, seu empregado ou seu sócio. Você decide. As melhores parcerias profissionais surgem desde os tempos de faculdade. Mas para além disso, tente formar um grupo de trabalho, uma sociedade, uma parceria, ajude e seja ajudado. O grupo terá mais força, mais contatos, mais possibilidades de investimentos e mais visão. Os objetivos serão alcançados com mais facilidade com o trabalho em grupo.

11.Seja profissional ético
Ser ético significa atuar de acordo com as normas estabelecidas e valores aceitos na sociedade. Não venda sua integridade profissional por pouco, nem por muito. Conheça o Código Mundial de Ética do Turismo que afirma em seu artigo 1, parágrafo 1: "A compreensão e a promoção dos valores éticos comuns à humanidade, num espírito de tolerância e de respeito pela diversidade das crenças religiosas, filosóficas e morais, são ao mesmo tempo fundamento e consequência de um turismo responsável; os atores do desenvolvimento turístico e os próprios turistas devem ter em conta as tradições ou práticas sociais e culturais de todos os povos, incluindo as das minorias e populações autóctones, reconhecendo a sua riqueza". Trabalhe para que cada vez mais pessoas possam fazer turismo de forma ética, sustentável e responsável. Esse bem que poderia ser o objetivo de todos os trabalhadores do turismo.

12.Obstáculos
Muito serão os obstáculos que enfrentará. Vá se acostumando com a ideia de que vão te perguntar se você vai ser guia de turismo ou se você vai abrir uma agência de viagens. Outros vão pensar que você  vive viajando, se divertindo em praias desertas, conhecendo gente legal, vivendo nos melhores hotéis, comendo da melhor gastronomia internacional, visitando desertos e geleiras. Quem sabe vão até te pedir dicas sobre aquele país exótico ou sobre o que comer e aonde ir no destino do momento. Alguns, ao saberem que você estuda turismo, simplesmente não falarão nada, cheios de perplexidade. Você terá dificuldades em ser empreendedor, nem todos compreenderão suas propostas, haverá problemas financeiros que parecem complicados. Tais obstáculos, uma vez superados, trarão confiança profissional. É assim com todos os profissionais bem sucedidos.

13.Entenda a política de turismo
A política de turismo, em todas as instâncias de gestão, é fundamental para o desenvolvimento da atividade. Neste caso, é bem vinda a sugestão de você se inteirar dos meandros, das diretrizes e das direções que o turismo está tomando, ou para onde estão o levando. Entenda qual é o público principal a ser atraído para sua região, quais são as linhas de financiamento, quais são os programas de governo, se há ou não planejamento... tudo isso vai afetar diretamente sua atuação como bacharel em turismo.

14.Competência e confiança
Seguindo os passos profissionais corretos, é provável que você adquirirá competência, e assim também terá confiança no que faz. Competência e confiança são percebidas imediatamente por seus clientes e proporcionarão melhores práticas profissionais, criando assim, um círculo virtuoso. Mas para chegar a este patamar, o caminho é longo e exige dedicação, outra ação necessária.

15.Saia do seu círculo. Avance
Não se prenda apenas ao seu círculo profissional mais próximo. Busque conhecer as boas práticas de outros destinos, de outras empresas relacionadas com o setor turístico. Busque experiências nacionais e também internacionais. Não tenha medo de copiar as boas ideias. Ideia não tem dono. Não é patenteada. Buscando conhecer além de sua realidade certamente novas possibilidades surgirão. Todos sabem disto. Não se acomode. Isso é péssimo.
16.Faça o que gosta
Se você não gosta da área do turismo, ou da empresa ou setor em que atua, simples: mude. Mude e busque fazer o que você gosta. Para trabalhar com turismo é preciso ter dinamismo, criatividade, simpatia e se você não gosta do que faz, provavelmente não terá essas habilidades. Não trabalhe num lugar que te faz sofrer. Não será bom nem para você, nem para os outros. Assim, especialize-se e busque fazer o que gosta. Logo, logo você também será cativado por outras áreas e pessoas. E de fato, eu acredito nisso: é muito importante ser feliz e estar de bem com a vida!

Despedida
Assim, caro(a) estudante de turismo, despeço-me deixando os votos que você consiga compreender este complexo fenômeno do turismo, que estabelece estreita interface com o lazer, com a hospitalidade, o entretenimento, a gastronomia, a recreação, os eventos, os temas da mobilidade, do meio ambiente, da cultura, etc. Além disso, uma vez egresso, espero que suas atividades profissionais sejam exemplares e que sua atuação ajude a elevar a qualidade e a importância do turismo em nosso país.
Espero que você saiba e tenha oportunidade de conquistar seus mais nobres objetivos profissionais, elevar a qualidade dos serviços da área, elevar o conhecimento prático e teórico já existente, proporcionar melhores condições de vida para os outros através dos impactos positivos do turismo. Como professor, espero tudo isso, mas se não alcançar tudo, se não conseguir realizar tudo, não importa. Ao menos você está tentando e certamente bons frutos está produzindo.
E bons frutos é o que todos queremos cultivar, colher e provar no jardim do turismo.
Abraços e feliz mês de setembro! Feliz dia do turismo!
Prof. Alexandre Panosso Netto - EACH-USP