terça-feira, 24 de novembro de 2009

Carta do FronTur

Eu já postei as informações sobre o Seminário Internacional de Turismo de Fronteiras que aconteceu em Santa Maria entre 13 e 15 de outubro de 2009, mas o fato é que houve um debate bastante importante, mas que não tinha o documento integral ressultante da discussão: a carta do FronTur.

O debate aconteceu durante o encontro dos coordenadores dos cursos de turismo, no qual se discutiu o tema “O ensino superior de turismo e as mudanças do mercado”. A proposta é encaminar a carta ao Ministério da Educação e da Cultura (MEC), a fim de sensibilizar os gestores federais quanto à necessidade de padronização do curso e do reconhecimento da profissão, em razão dos novos desafios de qualificação profissional do país na área.

Segue a carta em seu conteúdo integral:

Professores e pesquisadores da área de Turismo, representando diferentes IESs do Brasil, reunidos em Santa Maria/RS durante o VI Frontur, mostrando-se preocupados com o descrédito dentro das Universidades sobre a manutenção da área do Turismo como campo de formação, assim como com o encaminhamento da extinção ou transformação dos bacharelados em cursos tecnológicos, em nome de uma suposta configuração de mercado que estaria a demandar tais alterações, consideram o que segue:

- a crise econômica 2008/2009, que criou um cenário de mundo pós Estados Unidos e que encaminha para um novo processo real de globalização, cuja tendência será o desaparecimento da figura de pais(es) hegemônico(s);

- que neste novo processo o Brasil terá um papel importante a desempenhar como um dos atores privilegiados entre as demais nações;

- que, internamente, o país alcança um novo patamar de solidez econômica, com crescimento médio de 4% ao ano desde 2003, a inflação controlada e 20 milhões de brasileiros que se encontravam abaixo da linha de pobreza, ascendendo à condição de consumo, inclusive turístico;

- as políticas públicas oficiais de incentivo ao Turismo do Brasil, com a consolidação do papel do MTur, o Plano de Regionalização do Turismo e o conseqüente incremento do Turismo interno e externo;

- políticas mais agressivas e competentes de captação de eventos elevando o país à sétima colocação entre os destinos preferenciais para realização de eventos, no ranking internacional. A decorrente escolha do Brasil para sediar megaeventos como as Olimpíadas Militares, o Fórum Social Mundial, a Copa 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, entre outros;

- a complexidade cada vez maior do Turismo, aliada ao seu crescimento contínuo a exigir processos e ações extremamente profissionais e qualificadas no seu planejamento e gestão, face à crescente importância na estrutura produtiva local, regional e nacional;

- os novos paradigmas dentro da própria organização da atividade turística, pautada pelo desenvolvimento sustentável, a presença de novas tecnologias, a segmentação do mercado e um perfil de turista mais consciente, informado e exigente;


Nestes termos considera-se ainda e primordialmente:

- a fragilidade na qualificação profissional para o Turismo, no Brasil, constatado através do estudo de competitividade realizado pela Fundação Getulio Vargas nos 65 destinos Indutores;

- o desencontro de tratamento dado pelo MEC, CAPES e CNPq ao ensino do Turismo nas esferas de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado), dificultando ou impedindo a consolidação do ensino, pesquisa e gestão universitária, bem como a captação de recursos para formação de pessoal e investigação científica na área;

- a formação em grande escala pró mercado de trabalho de um grande número de profissionais com um mesmo perfil, torna-se frágil diante da ultra fragmentação do mesmo; requer-se agora uma formação acadêmica voltada para as relações em rede e inovações (universidade, governo e empresas) no mundo do trabalho, onde houve o desaparecimento da figura tradicional do emprego;

- a diversidade dos setores que compõem a atividade turística, demandando um número amplo e variado de perfis profissionais;

- os resultados danosos da expansão desenfreada dos cursos de Turismo nos anos 1990 privilegiando a quantidade em detrimento da qualidade da formação profissional;

- a necessidade de formação de massa crítica e know how nacionais frente aos desafios que estão sendo colocados pela globalização plena;

- a necessidade de maior aproximação entre o poder público, iniciativa privada, sociedade e academia no encaminhamento efetivo dessas questões.


Propõe-se:

- a implantação de políticas públicas que incentivem a formação de pessoal (profissional e voluntariado) de forma ampla e qualificada para atender às demandas do Brasil, no quadro traçado no caput e considerações iniciais deste documento.

- maior atenção pública e privada na formação de profissionais qualificados para atuar no Turismo frente às novas demandas, em termos de ensino operacional, técnico e superior (tecnológico e bacharelado);

- desenvolvimento de políticas públicas de valorização dos profissionais de Turismo em termos de regulamentação da profissão do Bacharel em Turismo;

- efetiva implementação da lei 11.771;

- alinhamento no tratamento dado à área nos órgãos competentes de ensino e pesquisa MEC/SESU, CAPES e CNPq;

- fortalecimento no tratamento da área de pesquisa em Turismo junto aos órgãos competentes como CAPES e o CNPq, assim como criação de linhas de pesquisa acadêmica no Ministério do Turismo;

- criar e viabilizar projetos que aproximem o Ministério do Turismo (poder público), a Academia e a sociedade, privilegiando como parceiros as IESs inseridas em territórios de desenvolvimento dos projetos;

- manutenção dos Cursos de Turismo preferencialmente na área de Ciências Sociais Aplicadas, ou, como hipótese segunda, na área de Humanidades, em coerência com o PERFIL DO EGRESSO proposto pelo MEC, que inclui: “O Bacharel em Turismo ou Turismólogo pesquisa o Turismo como atividade e suas relações com as demais áreas do conhecimento. Compreende, analisa, interfere e aplica a legislação e as políticas públicas do Turismo. Empreende nos diversos segmentos do Turismo. Presta consultoria e assessoria a empreendimentos turísticos, bem como na organização e gestão pública do Turismo. Elabora, executa e gerencia projetos, planos e programas de Turismo municipal, estadual, nacional e internacional. Organiza atores sociais para criação e desenvolvimento de produtos turísticos regionais. Planeja e operacionaliza estudos de viabilidade econômico-financeira para os empreendimentos e projetos turísticos” e por maior afinidade com proposta do mesmo Ministério no que se refere a TEMAS ABORDADOS NA FORMAÇÃO , onde se lê “ Fundamentos de Turismo e Hospitalidade; Aspectos Socioculturais e Ambientais; Metodologias de Pesquisa; Legislação Turística; Economia e Desenvolvimento Econômico; Políticas Públicas de Turismo; Planejamento Turístico; Territorialidade; Estatísticas; Gestão de Empresas; Empreendedorismo.”

- a ratificação do Turismo dentro da área de Ciências Sociais Aplicadas encaminha a concordância entre MEC/SESU, CAPES e CNPq, respeitando a opinião e interesse da Academia, que considera para a educação turística, os seguintes construtos pedagógicos:

a) caminhar decididamente para uma ciência do Turismo, o que significa rejeitar o Turismo como indústria e negócios, avançando o determinismo empírico economista de suas abordagens;
b) compreender a complexidade do fenômeno turístico, portanto entendê-lo como um campo teórico interdisciplinar;
c) pesquisar constantemente, no sentido de se interessar pelo conhecimento relativo à profissão, implicando na busca da informação, e na leitura sistemática;
d) rejeitar o pluralismo (cada qual pensa como pode e quer) que se confunde com parcelamento, divisão, fratura de um mesmo todo;
e) rejeitar os desvios tecnicistas, como se o Turismo exercesse o espaço de simples parcela de um todo mais vasto e mais complexo;
f) romper como o conceito dado de Turismo e um sistema de técnicas eficazes para o planejamento turístico na busca de um modelo único;
g) rejeitar o normativismo conceitual definido pelos organismos internacionais do Turismo, depurado de elementos epistemológicos e axiológicos, pois que o Turismo vive tanto de normas como de valores, incluindo os gnosiológicos;
h) abandonar os métodos que apreendem o fenômeno como objeto factual, positivista, pois não constroem teoria porque não há problematização e nem ruptura com o pré-estabelecido;
i) reivindicar a manutenção de cursos e faculdades de Turismo, criadores de ciências, em termos do séc. XXI, e de uma nova humanidade;
j) atualização permanente através da participação em eventos socializadores de conhecimento, mas, sobretudo em cursos de mais longa duração, que permitam recuperar a competência de modo sistemático, implicando pesquisa e elaboração própria, permitindo o surgimento de novas autorias;
k) manter uma postura de auto-avaliação, ou seja, a capacidade de questionar com sinceridade e modéstia. Esta atitude permite mantermos abertos os canais de informação, pois nos alerta para a capacidade de aprender dos outros e da realidade;
l) desenvolver uma visão complexa sobre o fenômeno turístico onde ocorra uma exigência de enfoques relacionais e integrados, uma formação geral e propedêutica, capacidade de nunca perder a noção de conjunto, permitindo uma visão ampliada dos processos que estamos envolvidos, para que possamos ler criticamente a realidade e ser sujeito desta;
m) discutir e refazer qualidade, sendo qualidade atributo humano, a participação – que é a qualidade humana mais humana que existe – torna-se exigência essencial, é o toque do sujeito;
n) trabalhar em equipe, sem desfazer a importância da competência individual, em particular da especialização que tem forte tonalidade pessoal, mas uma realidade complexa como a do Turismo exige abordagens interdisciplinares, colabora muito com a recuperação constante da competência e do ambiente diversificado, abertos às práticas alternativas, ao debate sadio entre os paradigmas científicos concorrentes, complementares e mesmo antagônicos, mantendo o questionamento reconstrutivo;
o) desenvolver a teorização das práticas, pois a competência sempre renovada alimenta-se também da capacidade de colocar sob questionamento a prática, a rotina de trabalho, o ambiente diário do trabalho; a idéia é trazer de volta a prática para a teoria, aplicando-lhe um choque de crítica, buscando novas dimensões para o fazer turístico;
p) assinalar que a ciência do Turismo também merece um estatuto epistemológico com a dignidade das demais ciências.

Nós, professores, aqui reunidos, ratificamos a presente Carta.

Santa Maria, 14 de outubro de 2009.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Seminário Internacional de Turismo

O SIT - Seminário Internacional de Turismo aconteceu em Curitiba nos dias 7 e 8 de novembro. Submeti ao evento um artigo sob o título "Roteiros turísticos: uma reflexão a luz dos relatos e guias de viagem", de minha autoria, e co-autoria da professora Doutora susana Gastal.

O artigo foi apresentado no Grupo de Trabalho Turismo e Cultura, coordenado pelo Prof. Miguel Bahl. Para quem não conhece. O professor Miguel é hoje uma das maiores, se não a principal referência no tema roteiro Turístico no Brasil por ter sido o primeiro autor a dedicar um livro exclusivo sobre o tema. A Professora Adriana Tavares lançou dois anos antes um livro que também aborda o tema, mas o foco principal dela são os city tours, um tipo de roteiro.

Por conta disso, estava bastante tensa, principalmente pelo fato de estar criticando o conceito por ele proposto para roteiro turístico. Afora as unhas roídas e as dores de estômago, foi tudo muito bem.

Perguntas??
Sim, novamente sobre o TEMPO!! Essa questão do tempo está começando a me preocupar.

Minha colocação: Não seria necessário estudar 4 anos em uma graduação em turismo para que no final do curso me fosse pedido que elaborasse um roteiro turístico em que eu deveria organizar cronogramáticamente, no tempo e no espaço os lugares a serem visitados.
Por exemplo:

Das 9 às 10 da manhã - Visita ao mercado do Ver-o-Peso.
Das 10 às 10:30 - traslado Ver o Peso Museu Paraense Emílio Goeldi
10:30 às 12:00h - visista ao MPEG
....

E assim por diante.

O professor Miguel, no entanto, afirmou que essa organização cronogramática é necessária principalemnte para aqueles turistas que não conhecem a localidade e têm pouco tempo para visitação. Ele deu como exemplo o caso de pessoas que têm apenas um ou dois dias para visitar uma localidade e, no final, têm a impressão de terem andado muito e conhecido poucos lugares.

Minha proposta, porém, é trabalhar não com a noção do tempo cronológico, mas com o tempo perceptível, por isso a necessidade de entender o sujeito...

Bom, rumo à essa caminhada...

vamos ver no que vai dar....

Apenas para constar o resumo do artigo:

RESUMO: O tema roteiro turístico tem sido pouco abordado dentro de uma perspectiva histórica e epistemológica. Com o objetivo de provocar um repensar sobre o assunto, este artigo considera, a partir de pesquisa bibliográfica e documental, os relatos e guias de viagem, para analisar o contexto atual dos roteiros turísticos. Conclui-se que pouco se avançou no pensar conceitual do tema, relegando-o a segundo plano dentro do turismo, desconsiderando sua complexidade. Observa-se que há uma mudança na estrutura e na técnica dos antigos relatos de viagem aos guias de viagem até os roteiros turísticos, mas, do ponto de vista teórico conceitual se tem apenas repedido idéias e conceitos sem maiores debates.

Palavras-chave: Turismo; Guias de Viagem, Roteiro Turístico


Seminário Internacional de Comunicação

Após um longo e maravilhoso período de férias em Belém-PA, minha terra natal, retorno a ativa. Dois dias após retornar ao Rio Grande do Sul faço uma longa escala em Porto Alegre, sem nem mesmo ter a chance de ir até minha casa em Caxias do Sul, para participar do X Seminário Internacional da Comunicação, ao GT Turismo, comunicação e imaginários, realizado de 3 a 5 de novembro de 2009.

Apresentei no evento o artigo entitulado Relatos de viagem à luz do Nomadismo e do Turismo: uma análise das narrativas em três momentos históricos distintos. para escrever o artigo contei com a co-autoria com das também mestrandas Luciana Costa e Ana Carolina.

Segue resuno do artigo:

RESUMO: Os relatos de viagem são um importante meio de comunicação no turismo. A partir deles, o sujeito turístico constrói imagens e imaginários sobre os lugares relatados, criando expectativas e gerando desejos de viagem. Com o objetivo de averiguar as mudanças que possam ter ocorrido na narrativa de viagens, escolheu-se três relatos de momentos históricos distintos: de Marco Pólo, na conquista pelas Índias, na Idade Média; de Debret na fundação da Academia de Belas Artes-RJ, na modernidade; e de Zeca Camargo nas visitas aos patrimônios da humanidade, na contemporaneidade. Para tanto, realizou-se revisão bibliográfica acerca do turismo e da história do turismo à luz do nomadismo, com bases em teóricos do turismo e Maffesoli (2001), e do sujeito, segundo Morin (2002), além de pesquisa documental sobre cada uma dessas viagens relatadas.
PALAVRAS CHAVE: Turismo. Relatos de viagem. Nomadismo. Marco Pólo. Debret. Zeca Camargo.

O artigo gerou uma discussão bem bacana. Dentre os tópicos que mais me chamou a atenção foi o questionamento de uma moça, da qual não lembro muita coisa, que perguntou sobre o fator TEMPO - uma das minhas categorias de análise para dissertação. O comentário dela foi bem pertinente. Como afirmei que o Turismo envolvia o contato e a busca pelo outro e que o relato do Zeca tinha essa marca bem profunda, ela questionou se tínhamos analisado o fator tempo. Considerando que as viagens de Pólo e Debret duraram décadas e a do Zeca seis semanas ao todo, não passando mais de cinco dias em uma localidade, como poderia ele falar em "conhecimento do outro". Ora, convivo há quase dois anos com uma pessoa (roomate) e ainda assim, duvido se a conheço de verdade.
Bueno, essa é uma questão a se pensar. Afinal, quem sabe o "contato com o outro" não seja exatamente o contato com outro sujeito, mas com os diversos "moi" do MEU próprio ser, segundo as teorizações sobre sujeito de Morin.

O seminário rendeu muitas reflexões que aparecerão com mais profundidade na minha dissertação.

Até lá!

domingo, 1 de novembro de 2009


Artigo Amazônia – PNUD
Esse artigo para o PNUD sobre a Amazônia está dando trabalho!

Segue então o e-mail do orientador e também parceiro neste artigo:

Oi Rebecca, pelo que entendo e pelo que separei da mensagem, estaria em tempo, pois o prazo para envio do resumo seria 3 de novembro. Vamos caprichar, vale a pena.
As questões que eles apresentam estão relacionada à urbanização. Em outros comentários eles falam também da relação entre educação e desenvolvimento (no texto que te mandei tem uma passagem sobre turismo e educação). Quanto à urbanização, entendo que o turismo é parte do processo de avanço do capitalismo e se viablizou pela tecnologia da urbanização: transportes, serviços. Essa abordagem pode ser feita nos tópicos em que se abordar turismo.
O argumento da Amazônia é o grande diferencial do nosso trabalho.

O deadline para o envio das propostas é 13 de outubro de 2009. Os autores selecionados terão que submeter a versão a ser apresentada dos artigos até 3 de novembro.
Logo após o seminário, todos terão duas semanas para revisar o artigo. Todas as despesas de viagem para Recife serão cobertas pelo PNUD. Os melhores artigos poderão servir de referência para a elaboração do Relatório de Desenvolvimento Humano.
- O que são valores?
- Como os valores são formados?
- Como entender a formação e os traços sociais dos valores urbanos no Brasil?
- Como explicar as contradições entre valores e atitudes nas pessoas?
- Qual a relação entre valores de vida e ambiente urbano?
- Qual a relação entre valores e qualidade de vida urbana?
- Qual a relação entre violência urbana e degradação de valores de vida?
- Como esses temas estão sendo tratados em outros países?

E o outro:

Oi Rebecca,
Revisei com atenção todo o texto do artigo, fiz todas as correções que julguei convenientes.
Minha sugestão é questionadora, em razão de algumas constatações importantes. Assumo a responsabilidade de não ter visto isso antes.
Não se aborda turismo, o que é uma fraqueza muito grande do trabalho, pois ele é enfatizado desde o título, mas não é destacado na estrutura. É preciso uma seção que discuta os aspectos do turismo, com base em experiências bem-sucedidas de outras destinos, onde as comunidades tenham sido valorizadas e beneficiadas por ele.
Além disso seria importante uma descrição da realidade dos povos da Amazônia: número de comunidades, situação de vida, bem como eventuais iniciativas públicas e privadas de turismo e seus impactos.
Na sequência, é preciso fazer a articulação do turismo com os conceitos de valor e com os demais aspectos teóricos do estudo.
Na versão anterior havia algo dessas abordagens?
Enfim, acho que em função do prazo não seria prudente mandar o trabalho assim. Podemos elaborar melhor e mandar para publicação em periódico.
São apenas questionamentos. Se tu achas que ainda dá tempo para ajustar, podemos tentar, senão vamos para outra oportunidade.
Não desanima! Isso é normal, é preciso persistência.
Espero teu retorno.
Abraço,

Portanto, o artigo assume o seguinte esquema:





O resumo, então:
RESUMO: A Amazônia, hoje discuta essencialmente pelos problemas e valores de ordem ambiental, anseia por uma ruptura da imagem de “Amazônia como reserva natural”. Não se defende que esse paradigma dominante nos debates sobre a região é irrelevante, no entanto, aponta-se para outra face de uma região multifacetada: seus povos, com suas culturas e identidades. É nesse contexto que se situa o eixo temático deste artigo: Amazônia não como região e natureza imaginária, tampouco como futuro da humanidade; mas a Amazônia como presente da humanidade por toda a heterogeneidade que abriga, seja do ponto de vista ambiental, seja de conhecimento, culturas, e por que não identidade? Com vistas a essas proposições. Defende-se a valorização do capital social amazônico, apontando possibilidade de reencontro dos valores tradicionais, e também valorizando o conhecimento autóctone consonante à educação formal formas de atingir o desenvolvimento e, aponta-se para o turismo, objetivando um desenvolvimento endógeno, como alternativa de valorização sócio-cultural na região.
PALAVRAS-CHAVE: Amazônia. Amazônidas. Valor. Saber autóctone. Educação formal. Turismo.

VI Seminário Internacional de Turismo em Fronteiras – FronTur


Primeiramente devo me desculpar, comigo mesma, já que eu não fiz comentário com ninguém sobre isto, por ter subestimado o FronTur.
De fato não pensei que seria tão bom o quanto foi. As discussões foram muito proveitosas, principalmente pelo fato de que eu nunca havia pensado antes em discutir aspectos fronteiriços relacionados ao turismo, mas o evento me fez pensar nisso, principalmente em relação à Amazônia.
Antes disso, porém, na tarde do dia 13/10 houve um encontro pedagógico com o tema “O ensino superior do Turismo e as mudanças de mercado” sob coordenação das Prof.’s Marutscha Möesh e Adriana Pisoni da Silva.

Como o tempo anda meio corrido {anda corrido??}, postarei os detalhes do evento depois, agora postarei apenas sobre os artigos publicados.

Submeti ao evento dois artigos.

O primeiro: "Parque Ruber Van Der Linden: Proposta de Uso Público Sustentável para Parques Urbanos", em que fui co-autora ( Ana Carolina Oliveira; Claudio Galvão de Souza júnior; Rebecca de Nazareth Costa Cisne).
Esse artigo foi apresentado no Grupo de Trabalho "Turismo rural e sustentabilide", pela Ana Carolina.

O segundo: "Natureza e Misticismo em Comunidades Amazônicas: Roteiros Turísticos como alternativa para Impulsionar o fluxo turístico em São João de Pirabas-Pa", assinado por mim, em que a Ana Carlina assinou a co-autoria. Como já postei o resumo desse artigo, aproveito a oportunidade de postar o poster que fiz para divulgação do trabalho:

Dissertação: Primeiro Capítulo

Finalizar meu primeiro capítulo estava sendo um trabalho muito difícil, até que, na aula da Oficina de Leitura e produção de texto de circulação acadêmica, muita coisa se clareou.
O fato era que eu tinha feito diversas leituras, mas não estava sabendo como fazer de todas as diversas leituras um capítulo. Como a aula do dia 07/10 foi sobre resenha temática e, então, elaboração de referencial teórico, as coisas começaram a se clariar. Mas havia um problema: Eu faltaria a próxima aula (21/10), pois estou indo a Belém – literalmente INDO, já que estou escrevendo do avião. Então, a professora se dispôs a termos uma aula “extra” no dia 12/10, em pleno feriado! Já que durante a semana (13-15/10) eu estaria em santa Maria para o VI Seminário Internacional de Fronteiras (FronTur).
Bom, até a aula meu capítulo estava assim dividido:

CAP 1: Roteiro Turístico: Um debate sobre sua tradição em busca de uma superação

1.1. O Roteiro Turístico

Partido do pressuposto de que a discussão acerca da cientificidade ou não do turismo é um debate superado prede-se trabalhar apenas à luz das reflexões epistemológicas. Nesse sentido, o Turismo enquanto atividade estudada sob a perspectiva epistêmica pauta-se em discussões fundamentadas principalmente por Fuster (1972), Centeno (1992), Rejowski (2003), Moesch (2002), Panosso (2005), Santos Filho (2005). Os estudos desses autores direcionam-se à carência de um corpo teórico inerente às necessidades do Turismo, fruto da insuficiência conceitual de termos específicos da área, o que se desenha como um entrave para seu aprofundamento teórico-metodológico. E então fiz uma resenha sobre essas obras, sem deixar de mencionar o Programa de Regionalização de Turismo com a proposta de roteirização.

1.2. O Roteiro Turístico em seu tratamento acadêmico

Com o objetivo de recuperar como a questão roteiro turístico e roteirizarão tem sido tratada academicamente fez-se o resgate teórico parte sistematização do conhecimento existente sobre o tema, para num segundo momento, dando voz ao contraditório, buscar avaliar a assunto sob a perspectiva de possíveis novas construções teóricas, extraídas de teóricos das Ciências Sociais que tratem da sociedade e da cultura no momento contemporâneo.
Para esse resgate buscou-se, nos programas de mestrado acadêmicos em Turismo reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, as dissertações ali defendidas. Em termos de periódicos científicos, analisou-se a revista Turismo em Análise, a mais antiga publicação científica na área no Brasil, entre 2000 e 2007, Turismo Visão e Ação, no período de 1998 a abril de 2008, além do Caderno Virtual de Turismo - CVT, no período de 2001 a setembro de 2008. Caderno analisou-se também as cinco edições do Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul – SeminTur.

** O resultado desse levantamento foi publicado nos anais do VI ANPTUR **

CISNE, Rebecca & GASTAL, Susana. A Produção Acadêmica sobre Roteiro Turístico: Um Debate pela Superação. IN: VI Seminário da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo. Anais... São Paulo: ANPTUR:Universidade Anhembi Morumbi, 2009. 1 CD-ROM.

1.3. A presença histórica dos roteiros turísticos

Na busca pelo redimensionamento do conceito de roteiro turístico requer-se que o presente trabalho faça uma abordagem histórica do turismo para, dentro dessa história, resgatar processos de roteirização. Para tanto, o recorte para traçar a história dos roteiros turísticos, conforme proposto aqui, foi feito a partir da escolha de variáveis-chave que, em cada período de tempo, irão comandar o sistema dessas variáveis: o contexto histórico de desenvolvimento do Turismo. Essas variáveis-chave foram: o Grand Tour, as iniciativas de Thomas Cook e os deslocamentos realizados, principalmente por motivos religiosos, ainda na antiguidade e que permanecem hodiernamente. Ao considerar que um elemento não evolui isoladamente, mas em conjunto com fatores externos, fatos que podem não estar diretamente relacionados às variáveis anteriormente citadas podem vir a ser considerados a fim de resgatar uma evolução global dos roteiros. Portanto, neste recorte, não serão feitos cortes rígidos, mas realces às épocas e, por ventura, marcos que as separam. Além disso, por estar-se trabalhando com categorias de análise, essas variáveis-chaves não estão isoladas em cortes rígidos dentro de uma escala histórica temporal, como é comumente dividida (Antiguidade clássica, Idade Média, Idade Moderna), mas estruturadas de acordo com as categorias eleitas para a análise deste trabalho: Tempo, Espaço e Tecnologia (em que consta também a técnica).
Para essa construsei utilizo os seguintes autores: Lickorish e Lenkins (2000), Acerenza (2002), Yasoshima e Oliveira (2002), Santos Filho (2004), Rejowki et all (2002), Rejowski e Solha (2002) e Montener Montejano.

1.4. O Roteiro Turístico

Abordagem dos conceitos e nomenclaturas inerentes ao roteiro turístico.

1.5. Para repensar o Roteiro Turístico: Uma discussão sobre o momento contemporâneo em turismo e roteirização

Essa sessão trás, considerando debates hodiernos do mundo contemporâneo, questionamentos em relação aos conceitos apresentados no tópico anterior, considerando as categorias de análise propostas para a dissertação: tempo, espaço (categorias tradicionalmente consideradas nas conceituações não só de Roteiros, mas também do Turismo), tematização (categoria também tradicionalmente concebida nas conceituações de roteiro turístico, ainda que timidamente), geotecnologias (como nova proposição, em que serão trabalhadas as sub-categorias cartografia, tecnologia e georreferenciamento) e, por fim, sujeito.


Dentro dessa proposição, esse capítulo faria análises inerentes aos roteiros turísticos, seu resgate histórico e teórico, além de analisá-lo em um contexto contemporâneo, como um exercício em busca da superação dos conceitos hodiernos que, segundo entendidos no presente estudo, são reducionistas por considerá-los como meros arranjos cronogramáticos de viagens no tempo e no espaço com finalidade mercadológica.


Depois da conversa com a prof. Márcia, no entanto, a estrutura, não só do primeiro capítulo, mas da dissertação, de forma geral, foi modificada, assumindo uma forma que me deixou muito contente pela clareza com que me foi explicada e mesmo estruturada. Segue a nova estrutura:

INTRODUÇÃO
Cap 01: CAMINHOS DA PESQUISA: PERCURSO REFLEXIVO

• Resgate do processo de roteirização dentro da história do turismo
• Análise das categorias espaço/tempo e sujeito

Portanto, o primeiro capítulo está “finalizado” até o presente momento, podendo sofrer modificações quando fizer a revisão final

Cap 02: PERSPECTIVA HISTÓRICA DO TURISMO: UMA ABORDAGEM PARA OS ROTEIROS TURÍSTICOS

Este capítulo trata do turismo dentro de sua perspectiva histórica conforme abordagem dada atualmente. Por não ser foco deste trabalho, mas necessário para sua compreensão em sua totalidade, não se considera, no entanto, as críticas hoje feitas ao eurocentrismo da (ou à??) história do turismo (SANTOS FILHO, 2009), apesar de considerá-las importante para o seu entendimento e até mesmo redimensionamento (histórico).

2.1. PERSPECTIVA HISTÓRICA A PARTIR DOS MARCOS HISTÓRICOS DO TURISMO

A busca pelo redimensionamento do conceito de Roteiro Turístico requer que o presente trabalho faça uma abordagem histórica do Turismo para, dentro dessa história, resgatar processos de Roteirização e relativos ao que hoje se convencionou chamar de Roteiros Turísticos.
Nesse sentido, o recorte para traçar a história dos Roteiros Turísticos, conforme proposto aqui, foi feito a partir da escolha de variáveis-chave que, em cada período de tempo irão comandar o sistema dessas variáveis: o contexto histórico de desenvolvimento do Turismo. Essas variáveis-chave, que são tratadas neste tópico, foram o Grand Tour, as iniciativas de Thomas Cook e os deslocamentos realizados, principalmente por motivos religiosos, ainda na antiguidade, na Idade Medieval e que permanecem hodiernamente.
Para essa construção utilizou-se os seguintes autores: Lickorish e Lenkins (2000), Acerenza (2002), Barbosa (2002), Rejowki et all (2002), Rejowski e Solha (2002), Yasoshima e Oliveira (2002), Santos Filho (2004) e Montener Montejano.

2.1.1. Viagem pela Fé: As peregrinações
2.1.2. O Grand Tour
2.1.3. Thomas Cook

2.2. CATEGORIAS: ESPAÇO/TEMPO/SUJEITO/TECNOLOGIA EM SEU TRATAMENTO TRADICIONAL

Ao considerar que um elemento não evolui isoladamente, mas em conjunto com fatores externos, fatos que podem não estar diretamente relacionados às variáveis anteriormente citadas, no tópico anterior, podem vir a ser considerados a fim de resgatar uma evolução global dos roteiros. Portanto, neste recorte, não serão feitos cortes rígidos, mas realces às épocas e, por ventura, marcos que as separam. Além disso, por estar-se trabalhando com categorias de análise, essas variáveis-chaves não estão isoladas em cortes rígidos dentro de uma escala histórica temporal, como é comumente dividida (Antiguidade clássica, Idade Média, Idade Moderna), mas estruturadas de acordo com as categorias eleitas para a análise deste trabalho: Tempo, Espaço e Tecnologia (em que consta também a técnica).

2.2.1. Categorias Tempo e Espaço
2.2.2. Categoria Tecnologia: Evolução dos transportes

2.3. RELATOS E GUIAS DE VIAGEM

Cap 03: CONCEITO DE ROTEIRO TURÍSTICO
3.1. TRATAMENTO ACADÊMICO
3.2. O ROTEIRO TURÍSTICO

Cap 04: NOVAS CATEGORIAS CONSTITUITIVAS DE ROTEIRO TURÍSTICO

4.1. SUJEITO
4.2. GEOTECNOLOGIAS

Cap 05: REDIMENCIONAMENTO DAS CATEGORIAS TEMPO E ESPAÇO

5.1. TEMPO
5.2. ESPAÇO

Cap 06: REDIMENSIONAMENTO DO CONCEITO DE ROTEITO TURÍSTICO (ressalva quanto ao mercado)

Cap. 07: UMA EPISTEMOLOGIA HUMANÍSTICA DO TURISMO E A LÓGICA DOS FLUXOS (lugar, não-lugar ECT)
Jafar Jafari, sistêmica, mercadológiva e humanística
Lógica dos fluxos no turismo

Cap. 08: PARA UMA NOVA PRÁTICA DE PROPOSIÇÃO DE ROTEIROS TURÍSTICOS

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Agora, mãos à obra! E, assim que possível, postarei novidades sobre o então segundo capítulo.

Atualizando...

O blog andou meio de lado esses dias... É que eu estou em função de terminar o meu primeiro capítulo e que tarefa difícil! Bom, o fato é que estou de volta e com três posts diferentes (pra compensar o atraso.
Então, o primeiro,
* Notícias sobre meu primeiro capítulo (com orientações da Prof. Márcia)
* Notícias sobre o FronTur
E, finalmente,
* artigo sobre a Amazônia a ser encaminhado para o PNUD.


Só para constar a informação e para que se tenha idéia do quanto estou, de fato, atordoada com muitas coisas, este texto e os que seguem foram escritos no dia 16/10, no avião, quando voltava à Belém. Hoje, 01/11, me preparo para retornar à Caxias.