sábado, 16 de outubro de 2010

Chamada para Artigos - Revista Rosa dos Ventos




 Está aberta chamada para submissão de trabalhos à Revista Rosa dos Ventos, periódico acadêmico, de ISSN 2178-9061, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Turismo – Mestrado – da Universidade de Caxias do Sul. A Revista dedica-se à reflexão e discussão sobre o Turismo e suas interfaces temáticas, contemplando Educação, Epistemologia, Hospitalidade, Gestão, Cultura e Meio Ambiente. A Revista Rosa dos Ventos propõe-se a ampliar a visibilidade a estudos, pesquisas e reflexões, fomentando o debate e a troca de experiências entre pesquisadores, professores e alunos, veiculando contribuições na forma de artigos, resenhas e entrevistas.

Maiores informações podem ser obtidas no sitehttp://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/rosadosventos
Ou no email rebeccacisne@gmail.com


Blogged by: PPGTur Universidade de Caxias do Sul:

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Enfim, mestre!

Ontem foi sem dúvida o dia mais ... (não sei que termo usar) ... "confuso", mas feliz e apresar disso, o dia em que, sem dúvida, me senti mais segura em toda a minha vida! Nunca estive tão certa de mim como ontem!

Um dos pontos colocados pela prof Lili é que narrar é uma forma de reviver e de organizar o que se viveu... Então vamos lá!

Ao contrário do que todos pensaram, consegui dormir muito bem e sonhei com a minha maquiagem! (como diria uma amiga, fútil, pero no mucho). Não consegui fazer a maquiagem do jeito que eu queria, afinal, com a banca às 9:30h não havia muito o que eu pudesse fazer!

Quase surtei no dia anterior, mas a minha 'coleguinha de classe' segurou as pontas e não me deixou entrar em surto psicótico. De uma forma muito "original" canalizei minha ansiedade em coisas que eu gosto e que fazem parte da minha identidade: maquiagem, unhas e roupa... Resolvi que essas seriam as minhas preucupações e consegui canalizar nervosismo e ansiedade para isso...

Quando acordei, às 7h, banhei, maquiei, me vesti, retoquei chapinha e fui pra UCS. Chegando lá... Amigos comprimentando, desejando boa sorte (?! - SORTE?! Não gente, eu estou MUITO segura... não é disso que eu preciso agora, sorte é pra amador, eu sou profissional! hehehe). Começaram as brincadeiras de praxi e eu, como sempre, dei espaço pro meu ego inflar. "Estás muito elegante" e a resposta: "Nasci assim! Só posso aprimorar!" hehehe

A defesa inicou às 9:26h (apesar de estar marcada para as 9:30 - uma forma de compensar os 2 anos de atraso para as aulas no mestrado!)... Não estava nervosa, não estava ansiosa... Muito pelo contrário, estava "serena", muito segura!

Depois da apresentação das minhas idéias, bastante elogiada, diga-se de passagem, pela "síntese" que fiz da pesquisa o momento da arguição....

Síntese esquemática do meu percurso reflexivo

A professora Mirian Rejowski solicitou ser a última a fazer os comentário para que pudesse ouvir as Prof.ª's Cappel e Lili e assim poder entender melhor o meu percurso.
A palavra foi passada, então, à professora Marcia Cappellano, que comentou sobre meu crescimento - evolução, não, eu não sou poke/digi-mon - a coerência entre Método, Problema e Referencial Teórico utilizado. Como quis deixar claro que a complexidade não trabalha com categorias, mas que adotei o uso de categorias de análise fundamentada na dialética, a prof. Marcia explicou que uso de categorias é negado pela complexidade quando elas são analisadas de forma descontextualizadas, isoladas, o que não aconteceu na minha dissertação, pois elas estavam relacionadas entre si e ao tema. Houve outras considerações, mas já não me recordo mais sobre o que tratavam (hehehe), pois estavam relacionadas, principalmente, à escrita.

A professora Liliani Staniçuaski evidenciou que sentiu falta dos autores "clássicos", já que ao falar em "bacia semância", busquei subsídios em Maffessoli, assim como para falar em "sociedade do espetáculo", "encontro com o outro", enfim... Ela sugeriu que eu buscasse as fontes onde Maffessoli bebe... Dentre os muitos elogios e "gostei da forma como descreves/denvenvolves..." teve uma coisinha que ela falou que me deixou feliz. Uma expressão bem popular! "Tem café no bule! Tem conteúdo! Outrou comentário importante foi sobre o uso da "netnografia" (delimitei no texto que faria aproximação ao que se tem chanado de netnografia). Tinha certeza que ela comentaria isso... tenho consciência que o Zeca Camargo não não pesquisador, mas jornalista. No entanto, tê-lo escolhido tem um motivo: A possibilidade de analisar três identidades diferentes desse sujeito: jornalista (apresentador do Fantástico), blogueiro e escritor. Mas não dava pra ousar justificar o porquê da opção por trabalhar com o Zeca.... O povo cairia na gargalhada, sem dúvida!
Até na própria apresentação, quando falei no nome do Zeca risinhos ecoaram pela sala! hehehehe
Outro ponto que ela destacou foi a importância de eu aprofundar mais sobre a experiência (tenho consciência que isso é necessário e marquei isso no texto) e relacionar isso ao que chamei de "Roteirização a posteriori" (relatos), mas isso aí eu deixo com o Henrique Patto...!
A prof. Lili apontou várias coisas, o que me deixou bastante feliz - e perdida hehe, mas no final fez uma pergunta que me deixou ainda mais feliz: "O que farias diferente? E pra onde a pesquisa vai se encaminhar?" Ou ainda: "Quais os caminhos que estás tomando para o doutorado".
Em resposta a prof. Lili: daria mais atenção a categoria tempo e a exploraria mais/melhor, de maneira mais consistente; e não teria suprimido a cartografia... e daria mais atenção ás geotecnologias....
A prof fez muitos outros comentários, mas que não caberiam aqui hehe

A professora Mirian sugeriu que eu mudasse meu título, trazendo a postura metodológica para o título. além disso questionou sobre o termo "a posteriori" sugerindo que eu pensasse em "legado".
Bom, eu entrei a dissertação há um mês e meio, e nesse período pude rever muitas coisas e ampliar minhas leituras... O termo "a posteriri", para se referir à terceira "esfera" da roteirização, ou seja, o relato, me pareceu inadequado... mas isso aí é outras história, seria necessário estudar o "tempo" de forma mais profunda...

Boa banca! Uma banca bem à la Rebecca... Com muitas "presepadas" e piadinhas... A professora Lili elogiou a modéstia na escrita... Bueno, todos na sala, obviamente, se cutucaram e riram... Afinal, do que essa professora está falando?? Modéstia???
Bom, prof. Lili, se há modéstia na escrita, a ausência dela esteve nas salas 316, 311C, 311G do bloco 46 e nos corredores do bloco 46 da Universidade de Caxias do Sul, cidade universitária... Onde Rebecca se auto-intitulava imortal e pequena gênia....

Já postei aqui a ata, então não é necessário maiores comentários sobre o resultado...

Ainda no estilo a la Rebecca, merecem destaque o cartaz da Ana e da Jésica/Flávio....

Agradeço a disponibilidade das professoras que compuseram a minha banca. E, como disse minha orientadora, se deu trabalho ler (220 páginas), acreditem, deu muito mais trabalho escrever!

Há muitas pessoas a quem devo agradecimentos, a lista seria enorme e não caberia trazê-la aqui, mas, de maneira especial, registro meus agradecimentos ao Prof. Edegar Luis Tomazzoni, por TUDO! Pela parceria em artigos, pelas conversas sempre encorajadoras, mas antes de tudo, por ter acredirado!

E, claro, não poderia deixar de registrar meu enorme agradecimento à professora Susana Gastal... Definitivamente, não há palavras... A que devo muito do meu crescimento, pessoal e intelectual.


Teria ainda muito o que ser relatado, mas tenho que me agilizar... são 11 da manhã e ainda preciso organizar uma apresentação de power point para hoje às 13:30.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Roteiro Turístico, tradição e superação: tempo, espaço, sujeito e (geo)tecnologia como categorias de análise

Enfim, MESTRE. Mestre em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul.

Dois anos e meio de muito trabalho em um percurso reflexivo árduo! Mas agora muito bem recompensados!

Ainda não consegui dimensionar tudo isso. Prometo um post em breve. Mas trago a ata de defesa de dissertação...

Imortal, Mestre, “distinta”, “louvada” e “gênio” (essa ‘piada’ só quem estava presente entende...)

Ata de defesa de dissertação.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dia do turismólogo (27 de setembro)

Eu acabei de finalizar uma postagem dizendo "até quinta", mas assim, estou ansiosa, inquieta e preciso focar minhas energias em algo... digamos... "produtivo"... Então, pensei, ontem foi dia do Turismólogo e valeria uma postagem... Só pra não sair do ritmo, modernamente, com um dia de atraso.

Estou devendo aidna duas postagens - uma sobre o VII seminário da apntur e outra sobre a "conversa" do Prof. Panosso com os alunos do mestrado no dia 15 de setembro - então, resolvir unir o útil ao agradável e adiantar o assunto que já está atrasado (mas ainda dedicarei um post "exclusivo" sobre ambos os encontros).

Formei em Turismo no ano de 2007 pelo Instituto de Estudos Superiores da Amazônia - Iesam. Tive uma formação muito boa, diga-se de passagem, mas não tinha muito claro o que era ser "turismóloga".

Bom, o portal da educação diz que o Turismólogo é o "profissional do turismo". Já a consagrada enciclopédia virtual diz que o Turismólogo é "profissional de nível superior que conhece, analisa e estuda o turismo em sua totalidade" (?!) Totalidade?!

Com isso a gente cai naquela perguntinha "O que é Turismo?" (vale a pena clicar aqui). E é aí que entro na palestra do professor Panosso e no grupo DEP 2 (Ensino Superior), coordenado pela prof. Marcia Cappelano.

No grupo, assim como na palestra do prof. Panosso, as discussões permeram assuntos como as bases metodológicas na pesquisa em Turismo, o objeto do Turismo e, a "não-questionável" trans/interdisciplinariade do Turismo. Com isso emergem questões como "O turismo, para ser ciência, precisaria de uma metodologia própria?"; "Qual o método do Turismo?". Frente a essas questões apontou-se os seguintes "métodos" (na anptur): Hipotético dedutivo, dialética/complexidade e, ainda, o "nosso" paradigma, o sistêmico.
Além desses aspectos de ordem "teórica", outros assuntos também foram abordados nesse Grupo, como a queda da demanda nos cursos de graduação em turismo e o perfil do INgresso no curso.

Pelo que pude perceber, esse assunto sobre a cientificidade do Turismo tem sido bastante debatida nos eventos nos últimos anos. Segundo o Prof. Panosso, não precisamos de um método propriamente dito, mas da delimitação de um objeto. Os estudos dele apontam para o "homem em movimento" como o possível objeto, o que converge à idéia da Prof. Susana Gastal, segundo quem a palavra "turismo" já não comporta mais a abrangência do fenômeno e, assim como a "hotelaria" teria migrado seu horizente conceitual para "hospitalidade", o Turismo poderia migrar para o conceito de "mobilidade".

Afora a prolixidade, fica então as 'competências/habilidades' do Turismólogo, segundo aponta o site portal da educação:

"Cabe ao Turismólogo, portanto, planejar, organizar, dirigir e controlar instituições e estabelecimentos ligados ao turismo; coordenar e orientar trabalhos de seleção e classificação de locais e áreas de interesse turístico, visando o adequado aproveitamento dos recursos naturais e culturais, de acordo com sua natureza geográfica, histórica, artística e cultural, bem como realizar estudos de viabilidade econômica ou técnica; atuar como responsável técnico em empreendimentos que tenham o turismo e o lazer como seu objetivo; diagnosticar as potencialidades e as deficiências para o desenvolvimento do turismo nos municípios, regiões e estados da federação; criar e implantar roteiros e rotas turísticas; desenvolver e comercializar novos produtos turísticos; pesquisar, atualizar e divulgar informações sobre a demanda turística; coordenar, orientar e elaborar planos e projetos de marketing turístico; identificar, desenvolver e operacionalizar formas de divulgação dos produtos turísticos existentes; formular programas e projetos que viabilizem a permanência de turistas nos centros receptivos; organizar eventos de âmbito público e privado, em diferentes escalas e tipologias; coordenar e orientar levantamentos, estudos e pesquisas relativamente a instituições, empresas e estabelecimentos privados que atendam ao setor turístico.
O turismólogo necessita estar integrado às diferentes áreas: cultura, agricultura, meio ambiente, indústria, comércio, esporte, etc. A ação em parceria, através de um sistema interdisciplinar proporcionará ao Turismólogo, executar suas funções com maior objetividade e êxito.
Diante de tamanha responsabilidade, cabe ao Turismólogo, avaliar as reais condições e potencialidades das localidades onde se pretende promover a atividade turística, contando sempre com o apoio dos segmentos profissionais já mencionados, mas principalmente, contando com o apoio e o consentimento da comunidade local, uma vez que cabe a ela decidir o que é melhor para o seu futuro."

VII Seminário da Anptur

Aconteceu nos dias 20 e 21 de setembro, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, o VII seminário da Associação de Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo - ANPTUR.

O mestrado em Turismo da Universidade de Caxias do Sul fez-se presente através de alunos e professores.

As mestrandas Ana Carolina Oliveira, Lirian Meneghel, Luciana Costa e Rebecca Cisne estiveram presentes apresentando artigos. Veja aqui.

A professora Marcia Maria Cappellano dos Santos (UCS) coordenou o Grupo DEP 2 - Ensino Superior. A professora Susana Gastal (UCS) coordenou o grupo DEP 5 - Outros demas. A professora Susana Maria de Conto (UCS) coordenou, juntamente com a professora Christiane Luce Gomes (UFMG), coordenou o Grupo DAC 1 - Patrimônio Natural.

Além disso, o mestre Paulo Teixeira, formado pela UCS, teve sua dissertação premiada em terceiro lugar. Sob o título "A visão da população de Mostardas e Tavares - RS sobre a contribuição do turismo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe ao desenvolvimento local", a dissertação de Paulo Teixeira foi orientada pela Prof. Rosane Lanzer. O prêmio de pesquisador emergente foi conferido ao prof. Panosso (USP), de pesquisador destaque à Profª. Mirian Rejowski (UAM) e, o prêmio de pesquisador destaque honoris causa ao Prof. Mario Carlos Beni.


Blogged by http://mestradoemturismoucs.blogspot.com/

Apresentação de Dissertação - Atos e Fatos


O boletim semanal da Universidade de Caxias do Sul desta semana (27/09 a 03/10/2010), nº 872 tornou-me ainda mais imortal ao divulgar que dia 30/09, quinta feira próxima, defenderei minha dissertação.

Brincadeiras a parte, estou super ansiosa e já nervosa... É depois de amanhã..!

Comporão minha banca as professoras Susana de Araújo Gastal (UCS), Liliane Stanisçuaski Guterres (UCS), Marcia Maria Cappellano dos Santos (UCS) e Mirian Rejowski (UAM).

Até quinta, com novidades sobre a defesa...!

sábado, 18 de setembro de 2010

GT 02 - SeminTur Jr. Planejamento e Turismo

As notícias costumam chegar no meu blog um pouco atrasadas, mas sempre com a justificativa da dissertação... Finalmente, como já sabem os que acompanham o blog, a dissertação já foi entregue agora espero, ansiosamente, pelo dia 30 de setembro, quando farei a defesa.

Mas mesmo depois da entrega ainda ficaram algumas coisas pendentes, como a Revista Rosa dos Ventos, finalmente on line, como também já mencionado! Confiram aqui.

Não que isso seja um assunto secundário, mas confesso que entre toda a minha correria, acabei deixando passar. Registrado, portanto meus pedidos de desculpas, trago aqui o Release dos debates do Grupo de Trabalho Planejamento e Turismo, coordeano por mim e pelo Guilherme Bridi.


O Grupo de Trabalho Turismo e Planejamento teve dez trabalhos aprovados, dos quais nove foram apresentados, subdivididos em três blocos que segmentaram os artigos por afinidades temáticas: Imagem e Marca Turística; Desenvolvimento regional e inclusão social; e, Segmentação Turística. O grupo deu início às atividades às 14:00h, com apresentação dos artigos e debates. A maioria dos artigos baseou-se em pesquisas quali-quantitativa e/ou exploratória.

Os debates convergiram, de modo geral, para algumas temáticas, a saber:

·   Epistemologia: discutiu-se sobre o reducionismo conceitual que se tem hoje no campo do Turismo, considerando-se também a insuficiência conceitual para a compreensão do Turismo enquanto fenômeno social, o que dificultaria a proposição de conceitos para a segmentação turística. Nesse âmbito discutiu-se sobre os segmentos de Turismo de Negócios, Turismo de Base Comunitária e Turismo Sexual. Pensou-se na motivação/experiência como elemento chave para refletir sobre esses fatores. Dentre outros, discutiu-se também sobre a essência do fenômeno: social x econômico; considerou-se que não haveria uma oposição dialética entre eles, mas um caráter de complementaridade, principalmente no quando se pensa no Turismo como alternativa ao desenvolvimento social.

·   Desenvolvimento Social x Crescimento Econômico: da mesma forma em que se considerou que o Turismo, se bem planejado e gerido, pode ser uma alternativa ao desenvolvimento loca de uma comunidade, resguardando que não pode ser a única alternativa viável ao crescimento econômico. Considerou-se que os Índices de Desenvolvimento Humano, como taxa de natalidade e mortalidade, qualidade de vida, saúde e educação somente são garantidos com uma base econômica sólida; além disso, debateu-se sobre infra-estrutura e equipamentos turísticos, além das prioridades de cada uma das localidades que vêem no Turismo uma oportunidade para alcançar modos e qualidade de vida mais promissores. Nesse sentido, da mesma forma em que a dimensão social e econômica do Turismo são complementares, o desenvolvimento social e o crescimento econômico também o são, resguardando as diferenças existentes entre geração de emprego e renda e desenvolvimento.

·   Educação: discutiu-se sobre as representações que os diversos atores sociais envolvidos no processo têm sobre o fenômeno, as falsas idéias que se têm sobre o Turismo no que se refere principalmente à idéia de Turismo como “salvador da pátria”. Considerou-se importante que os atores sociais envolvido, principalmente a população local tenha consciência não apenas dos benefícios que podem ser alcançados com o desenvolvimento da atividade, mas também os prejuízos de ordem social e ambiental.

·   Políticas Públicas: Discutiu-se sobre as questões políticas que envolvem o Turismo, incentivo político a empreendimentos turístico, bem como a ausência de planejamento no desenvolvimento da atividade em algumas localidades, onde o fenômeno desenvolve-se em divergência àquilo que é previsto nas Políticas de Turismo (PNT/PRT). Além disso, discutiu-se sobre o diálogo entre os atores sociais e poder público na elaboração e gestão não só dos destinos, mas também dos critérios previstos pelas Políticas.

·   Hospitalidade: Pensou-se na hospitalidade como valor de troca e, nesse sentido, discutiu-se sobre fatores culturais intrínsecos a esse tema. 

Aproveito ainda pra registrar minha imensa satisfação em ter tido a presença de alunos do Norte, Pará e Roraima, no nosso GT. Sei o quanto é difícil, por questões logísticas, participar de eventos, principalmente no Sul e pela falta de incentivo (não geral) das Universidades.

Os debates no Grupo foram férteis e bem fundamentados e, então, a partir disso, decidimos criar um Grupo para Discussões On-Line. Visite-nos e nos acompanhe!

Prof. Panosso visita PPGTur da UCS para banca de dissertação da Marcela

Recebemos na última quarta-feita, 15 de setembro, a visita doprofessor Alexandre Panosso Netto, que gentilmente aceitou o convite de nossa coordenadora, Prof. Marcia Maria Cappellano dos Santos. A visita do prof. Panosso é justificada pela banca de defesa da aluna do PPGTur da UCS Marcela Ferreira Marinho.


A dissertação de Marcela trouxe como título "O conceito de turismo sexual na perspectiva de sua inserção como objeto de estudo na graduação em turismo". Segundo palavras de Panosso, em seu blog, “Usando sólida fundamentação na psicologia e com matizes da filosofia, Marcela, com coragem, questionou conceitos largamente difundidos no Brasil sobre o tema do turismo sexual. Sem ser moralista, muito menos liberal, criticou a forma superficial como o tema é tratado na graduação em turismo no Brasil e também em dois jornais, e propôs um estudo mais profundo sobre a temática”.


Além do Professor Alexandre Panosso Netto (USP) e da Orientadora Professora Marcia Maria Cappellano dos Santos (UCS), compuseram a banca de defesa da dissertação os professores Luiz Antônio Rizzon (UCS) e Nilda Stecanela. Marcela foi aprovada não apenas com o conceito máximo (4), mas também com distinção e louvor!


Parabéns para Marcela pela dedicação, esforço e trabalho árduo! Desejamos sucesso em sua carreira e vida profissional.


Após a banca de defesa, os alunos do Mestrado em Turismo tiveram um momento privilegiado de conversa com o Prof. Panosso que disponibilizou-se a ministrar uma palestra sob o título “Construção do conhecimento turístico: escolas teóricas e avanços”, proporcionando ao final a possibilidade de trocas de idéias por meio de questionamentos e reflexões conjuntas.


Registramos nossos agradecimentos ao Professor Panosso por ter aceito o convite e, fazemos nossas as palavras da Prof. Marcia, que esta seja a primeira de muitas visitas.


A semana está sendo bem corrida.... Semana que vem estari em São Paulo para a Anptur, prometo postar não só sobre o evento, mas também sobre a palestra do prof. Panosso na UCS.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mestrado em Turismo da UCS lança Revista ROSA DOS VENTOS

O Programa de Pós-Graduação da Universidade de Caxias do Sul - PPGTur/UCS lançou hoje, formalmente, a Revista Eletrônica do Mestrado: Rosa dos Ventos. A iniciativa surgiu no ano passado através da professora Susana Gastal. Inicialmente a Revista Rosa dos Ventos fora divulgada/hospedada no site do ObservaTur - Observatório de Turismo e Cultura do Rio Grande do Sul e hoje a Revista foi ao ar de forma "independente", confira no link: .

Fazendo minhas as palavras do Prof. Rafael José dos Santos, quem assina a apresentação deste primeiro Número, o qual chamamos de número 0, por ser um número "experimental", por assim dizer, desejo "bons ventos para nossa rosa!":




"É com muita satisfação que  apresentamos o número inaugural de Rosa dos Ventos, a nova revista do Programa de Pós-Graduação – Mestrado em Turismo, da Universidade de Caxias do Sul, RS.
Rosa dos Ventos vem somar-se aos periódicos voltados aos estudos acadêmicos do Turismo. Sendo um campo de estudos caracterizado, sobretudo, pela pluralidade de abordagens e pela diversidade temática, Rosa dos Ventos estará aberta às diferentes contribuições em forma de artigos, resenhas e entrevistas.
A revista surge em um contexto de consolidação do campo de estudos do Turismo que, em termos históricos, é bastante jovem no Brasil. Não obstante, esse campo já abrange diferentes programas de pós-graduação e um número crescente de pesquisadores, o que se reflete também no fortalecimento da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo – Anptur, entidade que vem conquistando maior legitimidade e visibilidade a cada ano. Os eventos científicos na área também vêm crescendo qualitativamente e em diferentes regiões do país. O Mestrado em Turismo da Ucs, às vésperas da realização do VI Seminário de Pesquisa em Turismo do Mercosul –Semintur, sente-se feliz por ser um dos precursores desses encontros tão necessários ao debate e às trocas acadêmicas.
O número inaugural de Rosa dos Ventos conta com importantes contribuições. Inicialmente, a de Américo Pellegrini Filho (USP), pesquisador criterioso da cultura, que aborda a Capoeira, e suas transformações no decorrer do tempo, o que implica, inclusive, em uma modalidade dessa prática que se torna objeto preferencial do olhar dos turistas.
Seguimos com o artigo de Regina Schlüter (Universidad Nacional de Quilmas. CIET/Argentina), que tem com pesquisadores brasileiros uma rica história de intercâmbios. A Dra. Schlüter aborda a questão do corpo feminino, da moda e do Turismo de sole praia, revelando transformações na sociabilidade e na sensibilidade modernas, inclusive em termos de novas modalidades de diferenciação social.
O Turismo tem se mostrado objeto privilegiado no tocante às discussões sobre lugar, espaço, entre-lugares. Neste número inaugural, a contribuição nesse sentido vem de Antonio Carlos Castrogiovanni (UFRGS/PUCRS), que indaga acerca da formação do espaço turístico, lançando mão de pesquisa empírica e de contribuições teóricas de autores representativos do pensamento contemporâneo.
A riqueza de possibilidades heurísticas do Turismo mostra-se, também, na colaboração de Euler David de Siqueira (UFJF), em suas análises sobre cartões postais da cidade do Rio de Janeiro, aliando Comunicação e Antropologia para desvendar representações do poder político.
Analaura Corradi (Universidade da Amazônia), Antonio Cordeiro Santana (Universidade da Amazônia/Universidade Federal Rural da Amazõnia)) e Luiza Azevedo Luíndia (Universidade Federal do Amazonas) apresentam em seu artigo reflexão sobre a viabilidade, entendida aqui em seu sentido mais amplo, de um empreendimento de Turismo Rural na Amazônia, focalizando as relações entre planejamento, sustentabilidade e desenvolvimento.
No último artigo deste número, Alexandra Zottis (FEEVALE) faz uma análise histórica e contextual da Festa da Uva através dos cartazes de sucessivas edições, desse evento representativo da Serra Gaúcha. A reprodução dos cartazes propicia também, ao leitor, a possibilidade de elaborar sua própria leitura.
A resenha deste primeiro número de Rosa dos Ventos é dedicada ao Atlas Socioambiental dos municípios de Mostardas, Tavares, São José do Norte e Santa Vitória do Palmar (Caxias do Sul, RS: Educs, 2009), organizado por Alois Schäfer, Renata Pereira e Rosane Lanzer, todos profesores da Universidade de Caxias do Sul, esta última, inclusive, docente do Mestrado em Turismo. Trata-se de uma obra de referência, fruto do projeto Gestão sustentada das lagoas costeiras do litoral médio e sul do estado do Rio Grande do Sul, desenvolvido no Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Caxias do Sul, com aportes da Petrobrás. Além de Rosane Lanzer, o projeto envolveu também discentes do Mestrado em Turismo.
Enfim, é com estas valiosas contribuições que Rosa dos Ventos inicia seu percurso, com a esperança que seja mais que um periódico: um espaço de pensamento e crítica, reflexão e divulgação científica."

Bons ventos para nossa Rosa!

Google Earth permitirá acompanhamento da apuração nas eleições de outubro

Inovações à parte!
As geotecnologias existentes sempre têm uma resposta rápida e certeira quando se fala em demonstrar resultados ligados a um determinado ponto no planeta.
Quando comecei a trabalhar nesta área, por mais engraçado que isso possa parecer, eu já ficava imaginando os vários usos possíveis para cada ferramenta nova que eu buscava conhecer. Hoje tenho certeza que qualquer empresa que queira utilizar-se da geotecnologia existente buscando melhorar seus resultados e consequentemente inovar em sua relação com o cliente – vai certamente encontrar uma resposta que atenda as suas demandas.

Os eleitores brasileiros terão mais uma ferramenta para acompanhar de perto o pleito deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fechou uma parceria com a Google para que o programa Google Earth exiba, em tempo real, dados da apuração dos votos para presidente, governador e senador.

A ferramenta interativa ficará disponível por meio de um link no site do TSE após o início da contagem dos votos, no dia 3 de outubro. Uma vez acessado o programa, o eleitor poderá clicar em cada uma das 26 capitais mais o Distrito Federal para acompanhar os últimos números referentes à disputa local.

Ao clicar em determinado estado, o programa apontará para um ponto turístico da capital e exibirá dados dos dois candidatos mais votados para governador e senador, além da porcentagem de urnas apuradas até o momento do acesso. Os dados sobre a disputa presidencial serão mostrados quando o eleitor clicar em Brasília.

Fonte: Agência Brasil
Postado por Elton Jean Peixoto no blog Geografia e Geotecnologias

O Campo Turístico e suas Construções no RS: Reunião sobre Turismo e História (Universidade Fed...

O Campo Turístico e suas Construções no RS: Reunião sobre Turismo e História (Universidade Fed...: "Há alguns dias, André Daibert levantou, lista da Anptur, a questão da escassez de trabalhos contemplando a relação Turismo e História no Brasil, o que rapidamente encontrou eco entre os participantes, que se deparam com a dificuldade no dia a dia de encontrar informações históricas acerca do turismo para pesquisas, ou mesmo que se tem como ofício a escrita da história do turismo.

Os debates ganharam corpo na lista e se sentiu a necessidade de um encontro presencial para que se debatessem as inquietações e se pensasse em algo que pudesse ajudar a mudar o quadro. Foram sugeridos dois encontros presenciais: um em Niterói-RJ, em agosto, e um na próxima ANPTUR, em setembro.

O encontro de Niterói ocorreu na quinta-feira, dia 26 de agosto, contando com a presença dos seguintes professores: Aguinaldo César Fratucci, Cláudia Moraes, Marcello Tomé, Valéria Guimarães (todos do Depto de Turismo da Universidade Federal Fluminense) e André Daibert (CEFET-Petrópolis), o doutorando em História Social, Hernán Venegas, da UFF, e a estudante de graduação em Turismo Priscila Nunes, também da UFF.
Conversou-se inicialmente sobre o frutífero debate surgido na lista da ANPTUR, em boa hora, mobilizando colegas de várias partes do país e do exterior, e sobre a necessidade de se dar forma consistente às propostas que ali vão se desenhando. Para que se avance nos debates, envolveu-se novos participantes e construiu-se um grupo sólido, levando em conta a distribuição espacial dos interessados e a complexidade de dar conta da totalidade das questões em escala nacional ou global, os participantes levantaram uma sugestão ainda preliminar, a ser discutida com os demais interessados no tema, que seria a estratégia de formação de redes regionais, onde cada célula trouxesse suas demandas e fossem debatidas num fórum comum a todas elas, seja a lista da ANPTUR, sejam os encontros presenciais, seja qualquer outro canal próprio para o assunto, como um site específico ou uma revista especializada, por exemplo. Assim, compartilharíamos idéias e problemas particulares e os comuns a todas as células, procurando caminhos para desenvolvermos a relação história e turismo/turismo e história. Também foi considerada a importância da participação na ANPUH (a Associação Nacional de Pesquisadores em História), que conta com um grupo de história e turismo.

A demanda regional, um grande entrave para as pesquisas em andamento e projetos dos participantes da reunião, foi colocada em pauta e percebeu-se uma grande angústia do grupo participante com relação à precariedade da valorização da memória e da escrita da história do turismo e da hotelaria no estado do Rio de Janeiro. As discussões giraram em torno da ausência de informações sistematizadas sobre a história e a memória do turismo nesse estado; o abandono e a má conservação dos documentos; o roubo de fontes nos arquivos públicos, como o ocorrido no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, onde se perderam várias coleções de postais da cidade, entre outros raros documentos; a necessidade de construção da memória do turismo e da hotelaria, com o suporte metodológico da história oral, buscando o início imediato tendo em vista a idade avançada de muitos dos antigos personagens importantes para o turismo e a hotelaria do Rio de Janeiro; a necessidade de criação de um inventário de publicações e das fontes ainda existentes, hoje dispersas, mal acondicionadas e mal divulgadas; a necessidade de criação de projetos de pesquisa com fomento de agências públicas e privadas visando à iniciação científica dos alunos em história e turismo; o diálogo com os cursos de História e a importância da publicação dos produtos das pesquisas para dar visibilidade e consistência ao campo, sem contar a sua relevância social.

Recebemos o apoio e o convite da Comissão do Jubileu de Ouro da UFF (1960-2010), presidida pela Prof. Dra. Ismênia de Lima Martins, do Departamento de História, para a realização de um evento, proposto pelo Hernán Venegas, dentro das comemorações do Jubileu, com a temática das interfaces entre Turismo e História. Dada a urgência dos prazos e articulações para a realização do evento, ainda em 2010, além da dificuldade da busca de patrocínio tão em cima da hora, pensando dentro da estratégia de células regionais, o grupo esboçou preliminarmente a realização de um pequeno encontro, de escala regional, de 1 dia de duração, para marcar o início dos trabalhos. O evento, que será organizado pelo Laboratório de Eventos do curso de Turismo da UFF, congregará as principais escolas de Turismo e História do Estado do Rio de Janeiro para discutir estratégias para impulsionar o desenvolvimento desta relação interdisciplinar na região, compartilhando com outras instituições o projeto de construção desse campo de saber e ouvindo as demandas regionais. Ainda sem data definida, mas prevista para o mês de outubro ou início de novembro, o pequeno evento pretende realizar uma ou duas mesas redondas e um fórum com os representantes das escolas do Estado do Rio, inaugurando os trabalhos dessa célula. Dali espera-se o engajamento de outras escolas e o surgimento de novas propostas para a multiplicação dos trabalhos, fomentando o desenvolvimento do grupo. Convida-se os colegas dos demais estados a participarem.

O grupo discutiu a possibilidade de se realizar um evento mais amplo, no ano de 2011, contemplando a temática sugerida, no qual se buscaria ampliar os resultados do primeiro encontro e abrir espaço para conferências, apresentação de trabalhos acadêmicos e para a realização de visitas técnicas. O André Daibert sugeriu o CEFET Petrópolis como sede, ou pelo menos como sub-sede deste evento. A decisão final sobre as temáticas, o formato do evento e a sede do mesmo, será traçada no fórum mencionado anteriormente.

Enfim, após quase 4 horas de uma proveitosa reunião, onde muitas foram as angústias, as inquietações, as sugestões e as demandas, considera-se que há muito trabalho pela frente, que a tarefa é extremamente grande, mesmo em escala regional e com novos parceiros que tendem a aderir ao que estamos chamando de célula. O grupo concordou que não se conhece suficientemente a realidade nacional e internacional para que se atue nessas frentes e para que possa dar conta da totalidade, o que estimula o diálogo com os colegas das outras regiões a se articularem em células e promovermos trocas intermitentes, somando nossas forças em prol do desenvolvimento científico e turismo do país.

A experiência da reunião alertou para o fato de que há muito o que conversar, que quando encontrarmos os parceiros de outras regiões, que já se pronunciaram na lista e outros que se juntarão ao grupo, teremos um encontro longo, com uma pauta de discussão densa e ficamos receosos de que o próximo encontro da ANPTUR, com uma programação tão intensa e extremamente importante para os participantes, não comporte o nosso debate, necessitando de um espaço maior para as discussões, o que poderia ser uma sugestão para a abertura de um fórum específico para o tema no próximo SEMINTUR. Esta é apenas uma proposta do grupo, tendo em vista as demandas trazidas pelos colegas e a experiência de nossa pauta inicial de discussão.

Texto adaptado da ata da reunião divulgada na Lista da Anptur"

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Relatos de Viagem: Uma busca à compreensão dos Roteiros Turísticos

Com as correrias da finalização da dissertação, acabei esquecendo de comentar sobre o congresso da Intercom que iniciou ontem, 02 de stembro, e vai até dia 06. Me inscrevi no GP Comunicação, Turismo e Hospitalidade.

Como no momento estou no Grupo, posto o resumo do artigo, como de rotina, e posteriormente traarei outros posts sobre o que foi debatido pelo Grupo.

Resumo: O hábito de viajar parerece ter sido acompanhado, desde os primórdios, pelo hábito de relatar os havidos e acontecidos durante as mesmas. A forma oral dos relatos foi seguida da forma escrita, em cadernos, jornais e livros. Depois, a fotografia, ou seja, o relato visual, veio agregar-se à rotina dos viajantes. No momento contemporâneo, diferentes formas de registros utilizam a internet e outras ferramentas tecnológicas, para continuar desempenham o importante papel de registrar os percursos dos viajantes.  O presente artigo apresenta uma revisão bibliográfica sobre o histórico dos relatos de viagem para, a seguir, realizar breve estudo exploratórios na sua utilização on line.

Palavras-chave: Comunicação Turística; Turismo; Relatos de Viagem; Roteiros Turísticos; Blogs.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"E ir ser selvagem para a morte, entre árvores e esquecimentos"

O verso de um poema de Àlvaro de Campos me fez pensar muito sobre as vozes que se levantam em defesa de um patrimônio (mundial, nacional, regional -?!) que têm, de fato, ecoado entre árvores e esquecimentos: A Amazônia.

Debate-se, fala-se, buscam-se idéias, propõem-se isso e aquilo... Mas, afinal, por que é tão difícil construir uma teoria crítica sobre a Amazônia?

A contradição do espaço amazônico pode ser facilmente percebida dentro de diversos âmbitos. Do ponto de vista sócio-econômico, o patrimônio natural amazônico está na origem de uma série de conflitos pela posse de seu uso, enquanto que a Amazônia dispõe de recursos naturais e, porque estar ocupada, em sua totalidade, torna-se uma fronteira de expansão para as atividades produtivas que dependem de recursos naturais (FLEICSHFRESSER, 2006). A ambigüidade amazônica defini-se pela mobilização de recursos financeiros internacionais para sua conservação e, simultaneamente, é ocupada aceleradamente após o esgotamento de recursos naturais e o fechamento da fronteira agrícola nos demais estados brasileiros (FLEICSHFRESSER, 2006). Dentro desse cenário, a definição de políticas públicas consistente é uma tarefa complicada, mais complexa ainda é a formulação de uma teoria crítica consistente para a região.

Teoria crítica, na concepção de Horkheimer (apud Santos, 1999) é uma teoria fundamentada epistemologicamente na necessidade de superar o dualismo entre o cientista individual, promotor autônomo do conhecimento, e a totalidade da atividade social que o rodeia. Dentro dessa análise, cabe a ressalva de que, durante muito tempo, o conhecimento popular, de senso comum das comunidades tradicionais da Amazônia foi relegado ao desprezo da comunidade científica.

Segundo Santos (1999), a teoria crítica é aquela que não reduz a realidade, que é considera pela teoria crítica como um campo de possibilidades,ao que existe. Assim, a tarefa dos teóricos, ao pensar no contexto amazônico, é definir e avaliar a natureza e o âmbito das alternativas ao que está empiricamente dado. Para o autor, “a análise crítica do que existe assenta no pressuposto de que a existência não esgota as possibilidades da existência, e que, portanto, há alternativas sucetíveis de superar o que criticável no que existe” (SANTOS, 1999, p. 197). Na Amazônia, o paradigma de crescimento, real e que pode ser observado nos dados de Fleischfresser (2006) que demonstram o aumento da participação da região na composição do PIB nacional de 3,5% em 1970 para 7% em 2002. Essa realidade é criticável a partir do momento em que se constata que, a partir desse período, elevam-se também as desigualdades regionais, quando o peso dos estados do Pará, Amazona, Mato Grosso e Maranhão se elevam em relação aos demais estados. É, portanto, à luz do desconforto diante daquilo que existe suscita-se o impulso a teorizações críticas (SANTOS, 1999)

A dificuldade de superação, por sua vez, desenha-se pela dificuldade da construção de uma teoria crítica. Segundo Santos (1999, p. 204) “as promessas da modernidade, por não terem sido compridas, transformam-se em problemas para os quais parece não haver solução”. Na realidade amazônica, coexistem dimensões de um mundo social pré-moderno e moderno, além de traços que se configuram como pós-modernos. Na era moderna, o espaço é arrancado do tempo, de fora em que as pessoas, apesar de distantes umas das outras, não deixam de realizar trocas simbólicas e serem influenciados entre si.

Outro fator importante a ser considerado é o qual Morin (2002) se refere ao afirmar que hodiernamente os saberes são fragmentados, separados e compartimentados entre disciplinas (o que impossibilita apreender e analisar o complexo) enquanto que as realidades e problemas são cada vez mais polidisciplinares, transversais, multidimensionais, globais e planetários. Com a fragmentação dos saberes chega-se a uma especialização que se fecha em sim mesma, impedindo a integração de pensamentos para a resolução de problemáticas globais. É importante, contudo, que se perceba, segundo o autor, que problemas particulares só podem ser analisados em um contexto presente no desenvolvimento próprio do nosso século. Dessa maneira, o desafio da globalidade converte-se em um desafio da complexidade, dado quando os componentes que constituem um todo são inseparáveis e existe um tecido interdependente e interativo entre as partes e o topo e o todo e as partes. Assim, a complexidade aparece quando enfrentamos problemas modernos para os quais mão há soluções modernas (SANTOS, 1999).

Ao considerar os aspectos acima, afirma-se que o objetivo central de uma teoria crítica para Amazônia é desenvolver muito mais do que teorias, mas horizontes analíticos e conceituais que credibilizem uma atitude crítica, sobretudo daqueles que sentem que as razões da indignação e inconformismo não estão apoiados pela indignação e inconformismo da razão (SANTOS, 1999). Porque uma teoria crítica visa transformar-se num senso comum emancipatório. Por ser auto-reflexiva, a teoria crítica sabe que não é por meio da teria que a teoria se transforma em senso comum. A teoria é, dentro desse contexto, a consciência cartográfica do caminho que vai sendo percorrido pelas lutas políticas, sociais e culturais que ela influencia tanto quanto é influenciada.

Além disso, é importante se ter em mente, conforme ressalta Morin (2002) o conhecimento só é conhecimento enquanto organização, relacionado com as informações (parcelas dispersas do saber) e inserido no contexto destas.
É assim, portanto, que se desenha a necessidade de reunir informações, até então fragmentadas que, separados, não conseguem conjugar-se para alimentar um pensamento capaz d considerar a situação humana e de enfrentar os grandes desafios da época a fim de construir uma teoria crítica pela superação, consistente e que aponte para a reforma do pensamento sobre a Amazônia.



FLEICSHFRESSER, Vanessa. Amazônia: Estado e sociedade. Campinas, SP: Armazém do Ipê (Autores associados). 2006.

SANTOS, Boaventura de Souza. Por que é tão difícil construir uma teoria crítica? IN: Revista Crítica de Ciências Sociais. N 54. Junho, 1999.


 "Olhando os meus olhos de verde floresta/sentindo na pele o que disse o poeta [...] Eu olho o futuro e pergunto pra insônia: será que o Brasil não conhece a Amazônia?"

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Roteiro Turístico: Por uma compreensão epistemológia

Um pouco atrasada (como sempre) tenho o imenso prazer de comunicar que, finalmente, entreguei a dissertação!

Agora entendo o que povo quer dizer com "tirar um peso". Entreguei na terça-feira passada, 17 de agosto. Mas como estava "tri"-cansada tive que dormir antes de qualquer coisa...

Havia prometido aqui postar a síntese dos capítulos, mas vou fazer melhor (?!) trago a introdução:


O interesse pelo tema roteiro turístico surgiu para a pesquisadora ainda na Graduação em Turismo, realizada no Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (Iesam), associado a um projeto de viabilidade, então desenvolvido, para implantação de um empreendimento hoteleiro no município de São João de Pirabas, no Pará. O estudo apontou, entre outros, que o Município não careceria, necessariamente, da ampliação do número de leitos e unidades habitacionais, mas, sim, da formatação de um produto capaz de aumentar o tempo de permanência do turista no local, o que, na época, foi associado à oferta de Roteiros Turísticos na região.

Já como aluna do Mestrado em Turismo da Universidade de Caxias do Sul, feitas as primeiras revisões da literatura sobre o tema de estudo, percebeu-se haver uma lacuna no que concerne às teorizações referentes ao assunto. Tanto nas práticas de mercado como na reflexão acadêmica, o Roteiro Turístico é apresentado como mero indicador, às vezes descritivo, de locais a serem visitados pelos turistas/visitantes em uma determinada localidade ou região, indicativos esses distribuídos num tempo e num espaço.

O desenvolvimento da presente pesquisa somou, então, uma inquietação há muito presente, no que se refere às práticas contemporâneas de Turismo, sob a lógica da globalização e da pós-modernidade, acrescida ao que pode ser colocado como um reducionismo nas concepções teórico-conceituais para roteiro turístico presentes na literatura. Buscou-se, nesses termos, avançar na sua construção teórica a fim de transcender as práticas de mercado e, por que não?, a teorização em voga, que herda do mercado a postura cartesiana e pragmática.

Com vistas a esse objetivo tentou-se considerar os novos comportamentos sociais no que se refere à viagem e ao uso das (geo)tecnologias, tendência em uma sociedade informacional. Assim, o estudo iniciou-se com pesquisa exploratória de teor bibliográfico sobre o tema. Os autores que se debruçam à compreensão acadêmica dos Roteiros Turísticos são fundamentalmente Bahl (2004a; 2004b) e Tavares (2002). Publicações técnicas, no entanto, concernentes à elaboração/formação de roteiros são mais comuns; destacam-se nesse contexto os manuais utilizados por instituições como o Sebrae, o Senac e o Creato – Oficina de Roteiros.

A pesquisa exploratória indicou que tanto as teorizações, quanto as práticas de mercado e as políticas públicas evidenciam um saber-fazer inerente à elaboração de roteiros, que priorizaria tempo e espaço e, perifericamente, a tematização. Essa etapa da pesquisa gerou dados que levaram à reflexão sobre seu prosseguimento, inclusive em termos metodológicos. Inicialmente pensou-se em analisar o tema sob uma ótica funcionalista para compreender de que forma o “Roteiro Turístico” seria entendido pelas agências de viagens pelos órgãos estatuais de Turismo (Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pará)[1], conforme ilustra a figura a seguir:

Figura 01: Estruturação da pesquisa segundo o método (momento preliminar – pesquisa exploratória)

Fonte: Cisne, 2010

Questionando-se sobre os avanços que a pesquisa traria nesse sentido, voltou-se à análise das informações levantadas durante a pesquisa exploratória e se percebeu a possibilidade de tratar Tempo, Espaço e Tematização como categorias de análise[2] e, nesse sentido, o encaminhamento dialético seria adequado para tratar a questão. A Dialética surgiu, nesse momento, como suporte ao diálogo necessário entre o estado da arte atual, portanto a tese, e os questionamentos e proposições de novas categorias (Sujeito e Tecnologia), para a composição da antítese. Entretanto, tais, se mostrariam insuficientes para encaminhar a síntese; o impasse exigiu o questionamento do caminho percorrido, principalmente, em termos metodológicos, para o avanço da investigação. Como conseqüência, buscou-se na Complexidade, conforme proposta por Edgar Morin, o suporte epistemo-filosófico, à pesquisa. Esse percurso reflexivo, bem como a metodologia com seus procedimentos metodológicos serão apresentados e justificados com mais detalhes no primeiro capítulo.

O segundo capítulo apresenta a perspectiva histórica do Turismo, delineando as marcas de roteirização. Essa construção foi norteada pelo paradigma do Pós-Turismo, apresentado por Molina (2003), por se mostrar, até o presente momento, como a periodização que melhor agrega as demais propostas trazidas por pesquisadores que narram a história do Turismo. Nesse capítulo também se aponta para as categorias aqui elencadas para análise, tanto as tradicionais – tempo, espaço e tematização – quanto às novas proposições – Sujeito e Tecnologia – em seu entendimento/tratamento nas narrativas históricas do fenômeno consagradas pelos especialistas da área. Dá-se destaque nesse capítulo, às categorias Tecnologia, por ser aquela que norteia a periodização de Molina, e Tematização, compreendendo-a como um recorte do imaginário, por ter sido tratada perifericamente nas teorizações sobre Roteiro Turístico.

Pensando a Tecnologia em seu sentido stricto, pensa-se que, frente às possibilidades de acesso a informações, um turista ao deixar sua cidade para visitar outro local, pode, se o desejar, deter uma gama de informações que lhe permitam, entre outros, traçar seu itinerário em termos de distribuição espaço-temporal. Entretanto, falar em Turismo e Tecnologia não significa reduzi-la aos processos de divulgação e comercialização, pois se pode considerar, por exemplo, todo um novo espaço à subjetividade dos viajantes, em termos de gostos, sentimentos e interesses, que a roteirização, na sua forma tradicional e cartesiana, não permitia considerar, sequer respeitar. Nesse processo de roteirização tradicionalmente vigente, a presença da subjetividade referia-se apenas a do agente formatador, que selecionava os atrativos, a hospedagem e possibilidades de entretenimento que lhe parecessem mais adequados, priorizando, em um primeiro momento, não o Turista, mas o prestador de serviço.

Tendo em vista esses aspectos, chegou-se à categoria Sujeito. A análise do Sujeito na construção epistemológica do Turismo passou por momentos distintos e por interpretações variadas conforme o aporte científico dado. Inicialmente, os conceitos de Turismo remetiam apenas às dimensões espaciais e temporais: “visitante temporário, proveniente de um país estrangeiro, que permanece no país mais de 24 horas e menos de três meses, por qualquer razão, exceção feita de trabalho” (DE LA TORRE, 1992, p. 19). Cabe, portanto, ressaltar que, a partir do momento que se assume o Pós-Turismo como o paradigma no qual se situa este trabalho, essas premissas básicas e fossilizadas do entendimento do Turismo e, conseqüentemente, de Turista limitado ao deslocamento de um lugar para outro, impondo um recorte temporal e geográfico, são negadas.

Além disso, a postura pragmática ainda vigente defronta-se, no momento contemporâneo, com um novo quadro sócio-cultural que apresenta novos comportamentos de lazer e de viagem, e com a presença cada vez maior da tecnologia mesmo nas práticas cotidianas. Os novos comportamentos se marcam, em especial, por demanda no consumo do lazer e viagens por diferentes classes sociais e pela rapidez no acesso a informações no chamado tempo real, possibilitado pela evolução das tecnologias de informação, com novos softwares e equipamentos. Além do crescente desenvolvimento de tecnologias, que possibilitam melhores condições nas viagens, pela presença de meios de transportes mais velozes e mais confortáveis, houve também a possibilidade de maior autonomia dos viajantes em termos da escolha de destinos e na aquisição de produtos e serviços, desde a compra de passagens aéreas via Internet à escolha do apartamento no hotel, permitindo questionar sobre a presença e o papel da figura clássica do agente de viagens, nesse novo contexto.

Então, a Tecnologia, cada vez mais presente na formatação dos produtos turísticos, deixa de ser mero instrumento para inserir-se, entre outros, na concepção dos roteiros turísticos. Um exemplo é o geoprocessamento que seria, nesse sentido, uma ferramenta tecnológica a ser utilizada, possibilitadora de um novo método de elaboração de Roteiros Turísticos, que, aliada à imagem gráfica, permitiria ao turista a oportunidade de, em primeiro lugar, convergir as duas categorias de análise existentes, tradicionalmente, na concepção de Roteiro Turístico, por meio do dimensionamento do tempo e do espaço (escala). Além disso, essa ferramenta poderia possibilitar a percepção de uma localidade sob um novo olhar, através do entendimento de sua logística e aspectos de interesse. Contudo, pensar o georreferenciamento associado ao Turismo, para avançar além da simples utilização como ferramenta de trabalho, significa também repensar teoricamente as questões associadas ao roteiro e roteirização, convergindo à Tecnologia como uma categoria de análise[3].

Sob essas perspectivas, no terceiro capítulo reflete-se sobre o entendimento do Sujeito Turístico nos diferentes campos do conhecimento na busca por sua compreensão no campo do Turismo e como ele se inclui no desenvolvimento do Roteiro Turístico Pós-Moderno, considerando também o paradigma tecnológico como interveniente e mediador no processo de mudança de sensibilidades do Sujeito pós-moderno.

Diante desse cenário e dos objetivos a que esta investigação se propõe, após sistematização do conhecimento já existente sobre o tema, buscou-se avaliá-lo sob a perspectiva de sua possível construção teórica, por meio da proposição de novas categorias de análise, extraídas de teóricos das Ciências Sociais que tratem da sociedade e da cultura na contemporâneo, assim como teóricos que analisem o Turismo e o viajar no momento contemporaneidade, analisando a atividade turística sob a ótica não só dos fixos, mas também da lógica dos fluxos. Para tanto, no quarto capítulo buscou-se refletir sobre o fenômeno turístico com abordagem à epistemologia que considere o Sujeito como centro do processo. Apresentam-se, então, para subsidiar o debate, os momentos epistemológicos do Turismo e ressignificação das categorias tradicionais (Tempo, Espaço e Tematização), para, finalmente, propor, a partir de uma inclinação ao pensamento complexo, uma epistemologia do Turismo que incorpore a lógica dos fluxos.

Dessa forma, busca-se, então, a abertura de um novo horizonte temático que rompa com o já está estruturado, desconstruindo idéias e conceitos para compreendê-los de forma mais ampla por meio de um exercício de um pensamento complexo. Reconhece-se, porém, os limites aqui existentes por, principalmente, não se tratar de um pensamento finalizado, mas uma proposta de trazer questionamentos que leve a novas reflexões, característica da complexidade.

Com vistas ao exposto, esta pesquisa buscou refletir, de maneira especial, se as categorias Sujeito e (Geo)Tecnologias agregadas ao conceito de Roteiro Turístico contribuem para redimensioná-lo e equacioná-lo a uma construção epistemológica de Turismo que transcenda os limites mercadológicos e economicistas e, particularmente, incorpore a lógica dos fluxos.

A partir disso, compreendendo que teoria e prática retroalimentam-se, o quinto capítulo aponta práticas contemporâneas daquilo que fora, até então teorizado, enfatizando os relatos de viagem, desde sua forma oral à escrita, em diários de viagem, livros ou blogs. Para essa análise, buscaram-se, de maneira especial, os relatos do jornalista e blogueiro[4] Zeca Camargo[5], em uma aproximação metodológica ao que se tem chamado de netnografia[6]. Entende-se, portanto, que a prática de roteirização estaria dividida em três momentos que, ao mesmo tempo em que se complementam, não são independentes entre si.

O desafio proposto por este trabalho, então, foi o de (re)pensar o Roteiro Turístico e tendo como proposta a superação do já conhecido, compreendendo-o por meio de suas nuances, atribuindo-lhe um significado e não mais o vendo como simples mercadoria ou o limitando à idéia de itinerário. Para tanto, elencou-se cinco categorias de análise para sua melhor compressão. Portanto, esta investigação teve a intenção de aprofundar os estudos no âmbito dos Roteiros Turísticos e apresentá-los pautados sob uma nova perspectiva de análise, formatados com a ajuda das Tecnologias que acompanham o desenvolvimento da história humana e do Turismo, de forma a considerar a subjetividade existente nesse contexto, o sujeito envolvido, dentre outros elementos. Para tanto, precisou-se, antes de tudo, rever as concepções teóricas hoje acerca dos roteiros.

A questão conceitual é uma dificuldade para a maioria dos pesquisadores que se defrontam com a complexidade vocabular inerente a determinados fenômenos do mundo atual (PORTUGUEZ, 2001). Para o autor, os conceitos não precisam ser encarados de forma exageradamente rígida como em tempos passados. Assim, as ciências da sociedade não poderiam impor inércia para o conteúdo de seus conceitos, uma vez que a sociedade e suas instâncias – seus objetos de estudos – se tornam complexos cada dia mais.

Considerando isso, relevância científica desta investigação desenha-se, na crítica às produções existentes no campo do Turismo sobre o Roteiro Turístico e pela presente análise das concepções teóricas referentes ao tema a fim de não mais limitá-los às concepções reducionistas de mercado. E, ao se apropriar das categorias Sujeito e Tecnologia, esta pesquisa mostra-se como um estudo importante no campo do Turismo, principalmente ao considerar a idéia de natureza compósita do Turismo (BENI, 2001), que permite pensar que mesmo não havendo percurso predefinido, o turista percorre um roteiro; por mais caótica a trajetória, o roteiro seria inerente à viagem e ao Turismo.

A relevância social desta investigação refere-se a uma nova possibilidade de, por meio de discussões teóricas, propor uma concepção de Roteiros Turísticos que ofereça ao turista não apenas um mero itinerário descritivo dos locais a visitar, mas uma opção de desvelar a localidade visitada sob uma perspectiva de organização espacial dentro do território, proporcionando a possibilidade de interpretação da localidade, da logística territorial da cidade, além de considerar quando de seu planejamento, o sujeito turista e sua subjetividade, compreendendo o Roteiro Turístico como orientador não só o fluxo de pessoas, pois este também está preso aos fixos, mas antes de tudo, o fluxo de emoções, sentidos, experiências e ressignificações que o Sujeito, outrora Atávico, agora Turístico, em sua complexidade, atribui ao Tempo, Espaço e Movimento, por meio do Estranhamento.Dessa forma, os roteiros serão planejados a partir da premissa social, pensado para os turistas, como ferramenta a possibilitar ao visitante a oportunidade de interagir com a realidade do local por meio de seu[7] entendimento.

A relevância histórica desse estudo pauta-se na identificação da história dos Roteiros Turísticos a partir do resgate histórico do Turismo e seu desenvolvimento no mundo, utilizando-se para tal, a literatura existente sobre o assunto, sem deixar de considerar o processo de evoluções tecnológicas já existentes desde o princípio de seu desenvolvimento (Paradigma do Pós-Turismo).

Com o objetivo de transcender os limites das discussões hoje impostos ao Roteiro Turístico, a análise que segue caminha para um novo pensar, considerando aspectos da contemporaneidade no contexto do desenvolvimento do Turismo.



[1] Os estados foram escolhidos por afinidade territorial: Pará, Estado natal da pesquisadora; Rio Grande do Sul, onde realizou-se o mestrado; Rio de Janeiro, maior destino turístico internacional (EMBRATUR, 2008).

[2] O objetivo de elencar categorias é analisá-las de forma sistemática e dentro dos campos de conhecimento no qual se aplicam, para então avaliá-las dentro do contexto do turismo e, então, no âmbito dos roteiros turísticos (CISNE e GASTAL, 2009).

[3] Os avanços dos estudos possibilitaram a migração do conceito de tecnologia em seu sentido stricto para seu sentido lato, compreendendo-a conforme McLuhan, como uma extensão do corpo humano, por exemplo a roda, como extensão dos pés (ver capítulo 03).

[4] Blogueiro (Português brasileiro) ou bloguista (Português europeu), ou ainda blogger (Inglês), são termos utilizados para designar aquele que escreve em blogs. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog)

[5] http://colunas.g1.com.br/zecacamargo

[6] As especificidades dessa abordagem serão apresentadas no capítulo um.

[7] Assume-se aqui a ambigüidade do termo, considerando que, conforme a construção aqui apresentada, o Roteiro Turístico organiza os fixos e os fluxos. A organização deste dá-se pela ressignificação do Tempo e do Espaço que possibilitará que ele (o Sujeito) possa encontrar-se consigo mesmo (ver capítulo 04)