quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A compreensão da categoria tecnologia e sua construção (baseada na orientação de 24/02/10)

Para propor um pensamento pós-moderno para a compreensão do roteiro turístico e compreendê-lo epistemologicamente conforme proposto no trabalho que estou desenvolvendo, busco suporte metodológico na dialética e no pensamento complexo (Morin).

A proposição das categorias continua sendo as mesmas: Tempo, Espaço e Tematização, conforme seu entendimento tradicional (para usar os mesmos termos da dissertação) e, aliado a isso, a Tecnologia e o Sujeito.

O entendimento da Tecnologia, no entanto, não se limita às tecnologias da informação, conforme a vemos hoje. Para desenvolver essa categoria, volto à antiguidade e, para isso busco aporte em McLuhan, para entendê-la desde a invenção da roda, passando pela ferrovia, transportes a vapor; escrita, xilografia, tipografia, mapas, etc, até a visão atual que temos da tecnologia. Já que nosso olhar treinado e habituado à presença da roda, dos transportes e da imprensa, nos impedem de as analisarmos como grandes “revoluções tecnológicas”, pois já fazem parte do nosso cotidiano e não presenciamos sua evolução – diferentemente do que acontece hoje com as tecnologias como aparelhos celulares, smartphones, redes sociais, ect.

Enfim, a orientação de hoje me fez perceber que a Tecnologia não é uma nova categoria, ou seja, não entra como uma “tendência contemporânea do turismo”, tampouco como uma “nova categoria constitutiva”. A tecnologia permeia o Roteiro, tanto na sua formação tradicional, e até mesmo no Pré-Turismo, quanto hoje em dia, por razões “óbvias” (se é que me é permitido quebrar a cientificidade). Ou talvez devesse dizer que a tecnologia permeia as demais categorias? E, assumindo o que defende Castells, quando o autor afirma que a sociedade muda conforme as novas tecnologias (ainda que elas não seja um fator determinante de mudança e, ambas se retro-alimentam), ouso pensar que a tecnologia permeou o tempo e o espaço nos modelos de turismo que antecedem o pós-turismo, hoje permeia o sujeito; mas e quanto ao roteiro? Ele se deixa permear por ela?

Para a construção da categoria tecnologia, inicialmente (já que minha dissertação é dialética, e tem como essência o ir e vir do pensamento), trabalho com a seguinte a seguinte idéia: As novas tecnologias, e sua afirmação por meio das redes sociais, faz com novas identidades venham a emergir, seja pela auto-afirmação, ou pelo conseqüente egocentrismo (no sentido de por o indivíduo no centro do mundo). Um bom exemplo para isso são as bases que sustentam as redes sociais twitter e facebook, as perguntas, “what is happening” e “what are you thinking now”. Que, essencialmente, isolam não só o outro, mas também isolam o tempo e o espaço.

Quanto à estrutura de raciocínio que, por enquanto (já que estou a todo tempo, construindo e desconstruindo meu próprio pensamento), está sustentando o meu trabalho – tese, síntese, antítese, postarei amanhã, pois ainda amadurecerei esta noite.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O eterno devir mental

On ne peut penser et écrire qu’assis* (G. Flaubert)
- Te peguei, niilista! O sedentarismo é justamente o pecado contra o espírito Santo.
Apenas os pensamentos caminhados têm valor

* Só se pode pensar e escrever sentado


Ainda no ritmo de Nietzsche, a seta, embora não apontada para mim – afinal quem sou eu? –, me fez pensar em sua realidade. O que em si só é uma contradição a tudo o que tenho lido na obra desse autor, que critica vividamente a idolatria e o aspecto de realidade atribuído a uma frase antes dita por alguém pelo simples fato de esse alguém fazer parte do seleto grupo de cabeças pensantes da humanidade. “Deve haver alguma verdade aí em todo caso! O consensus sapientium prova a verdade” e em crítica Nietzsche responde “Deve haver alguma doença aí, em todo caso!”
O fato é que a contradição é parte do ser humano. E exercendo a porção dela que me cabe, tomo como verdade esse pensamento do filósofo: “Apenas os pensamentos caminhados têm valor”.

É interessante o quanto o mestrado meche com a nossa percepção de mundo e até mesmo com as estruturas, já não mais tão bem estruturadas, de nossos pensamentos. A dialética passa a ser parte da nossa vida – ou será isso uma reação isolada e ninguém mais se percebe assim? – duvido muito! Acredito sim que o mestrado, com a inclinação a pesquisa, nos tira a virgindade do pensamento, rompe com o lacre do cérebro, nos estimula à reflexão. Negamos o conhecimento, ora tido como verdadeiro e construímos novas verdades que brevemente serão refutadas e negadas com a próxima página da teoria que estamos lendo, ou com o próximo autor a quem formos apresentados.

E é aí que se instaura tal afirmação “somente pensamentos caminhados têm valor”. Até concretizar-se, um pensamento precisa ter caminhado o bastante, ter enfrentado barreiras, efetuado rupturas e o que mais aprouver para que possa ser digno de ser de fato um pensamento sólido.

Mas por que todo esse papo agora?

O fato é que cheguei ao mestrado com muitas verdades absolutas e até então irrefutáveis. “Pensamentos” estruturados. Até que tudo isso caiu por terra e tudo o que antes eram verdades passaram a ser questionados. E tudo o que há um ano não fazia sentido, hoje fazem parte da verdade que venho construindo, uma verdade que em pouco tempo será novamente abalada dando lugar a outro pensamento. Louco? Sim! Mas afinal, qual seria a graça da normalidade? A mesmice e a inércia não mais me facinam. Quero viver em transições, transmutações, um eterno devir intelectual. Agora sim, tenho cada vez mais, sede de mudança! O estático não seduz, o estático não conforta, o tédio não vicia. Atitude! Ainda que mental.

Filosofia, prazer! Meu nome é Rebecca.

Nunca fui formalmente apresentada à filosofia. Ou talvez tenha sido, mas não tenha dado a ela tanta importância quanto deveria, já que temos a chance, muitas vezes ignorada, de ter uma aproximação no período da escola, na faculdade... Mas realmente, de maneira geral, não a damos chance e a ignoramos dizendo ao fim do período letivo “Filosofia? Ah, Graça a Deus já matei essa!” Coitada dela! Não que tê-la ignorado me tenha feito falta, mas o fato é que hoje me vejo viciada... Viciada em leituras, viciada em saber! E como atingir o saber senão pela filosofia?
Pergunta interessante, no mínimo!
O fato é que em uma sexta feira, véspera do grande e prolongado feriado de carnaval entro em uma livraria somente, e tão somente, pelo vício. Não tinha a mínima ideia do que traria comigo e na prateleira de pocket ainda arrisco uma coletânea mínima de Agatha Christie, Neruda ou Drummond, mas acabo desistindo e passando o olho pela prateleira encontro com um “conhecido de nome” de quem há muito já tinha ouvido falar: Nietzsche. Friederich Nietzsche. “O Crepúsculo dos ídolos”. Sem pensar duas vezes, passei a mão o trouxe comigo juntamente com o livro “doidas e santas” da Martha Medeiros – combinação meio esquisita, mas o fato é que as crônicas dela me incentivaram a escrever esta postagem.
Pois bem, quando voltei para casa, dei pouca importância ao Nietzsche em detrimento à Martha, ainda pensei “disputa desigual”, mas me rendi ao filósofo logo na primeira oportunidade que dei a ele! Óbvio que a curiosidade de já ter ouvido um amigo falar nele ajudou um pouco nessa aproximação.
Filosofia pra quê, afinal? Como encarar Nietzsche se sequer consegui encarar “o mondo de Sofia”? Não sei. O fato é que a leitura de “O crepúsculo dos ídolos” me inspirou e, depois da grande lista de “próximas leituras” “o mundo de Sofia torna-se prioridade. Aliás, já o é na lista de aquisição.
Não tenho grandes pretensões com isso, mas o fato é que a desconstrução do pensamento e fluidez como constrói seu pensamento me encantou! E nessa fase de pesquisa, de quebra de paradigmas e ruptura de fronteiras e limites, em que o desconstruir tornou-se elementar para que pudesse construir meus pensamentos e estruturar meu pensamento, Nietzsche tornou-se um grande ídolo – apesar da contradição.

construindo categorias

É sempre assim, quando sumo da vida virtual é porque a vida real está demandando cada vez mais do meu escasso tempo. E assim foi, quase dois meses longe do blog e uma categoria construída. Ufa! Finalmente!

Confesso que por muito pouco achei que não seria capaz. Afinal, como reunir pensamentos tão complexos como o de Maffesoli e Morin em um mesmo capítulo, fazendo-os dialogarem entre si em defesa de uma mesma idéia?
Não sei como, mas consegui! No fim, acho que os ares da ilha de Mosqueiro ajudam um pouco, já que essa construção só foi possível no “período de férias” – mas como assim? Férias? – que estive em Belém.

Infelizmente não posso partilhar aqui o resultado. Mas divido a felicidade de ver um trabalho duro e penoso dar frutos. Finalmente, está tomando corpo! Depois de um ano de aflições, angústias e discussões o resultado e está desabrochando, e florindo de forma magnífica apesar a eminência do outono.

Então isso, registro aqui mais um passo andado. A primeira das cinco categorias construída – ainda que não finalizada – já elogiada com votos de sucesso e com um grande sentimento de dever cumprido!

Simplesmente FELIZ!



Escrito em 24-01-2010