segunda-feira, 26 de abril de 2010

Das inquietações de um viajante às inquietações na busca por um conceito

Na busca por um conceito de Roteiro Turístico percorri alguns caminhos teóricos cujo recorte deu-se a partir da categorização. A busca por categorias visa sua análise em particular para, posteriormente, inseri-la dentro de um contexto mais amplo.

Durante o processo de investigação me interroguei, dentre outras coisas, sobre a relação da minha proposta, dos estudos que estou realizando, com a vida, com o Turismo e com o Sujeito que viaja. Uma pista veio quando em outubro passado li o livro “Isso aqui é seu: a volta ao mundo por patrimônios da Humanidade”, de Zeca Camargo. Na apresentação e no epílogo o jornalista evidencia suas expectativas e reflexões quanto a sua viagem.

Nas inquietações de Zeca pude dimensionar o meu estudo. Pude ver que não estava tão perdida assim e que o eu estava me propondo a fazer tinha uma relação com os viajantes! E mais, minhas inquietações eram respondidas nas inquietações de Zeca. A cada página do livro o apresentador apresentava detalhes de suas viagens e seu olhar sobre o lugar, como qualquer relato de viagem. Mas na apresentação e no prólogo, senti como se o apresentador me chamava a uma conversa. Ouvia um certo “Psiu, Rebecca, olha aqui! Eu viajo por curiosidade, para explorar novos territórios, não quero mostrar só cartões-postais, mas histórias de vida, pessoas despindo-me de minhas identidades para buscar o conceito de ser humano”.

OBRIGADA, ZECA!!

Sentiste poderoso por pensar que tu poderias ser qualquer uma das pessoas com as quais encontrastes durante a tua viagem e que qualquer um deles poderia ter a tua história.
Novamente, OBRIGADA, ZECA!

Minhas divagações não são apenas meras palavras jogadas ao acaso para formar uma “teoria”. Tuas inquietações anularam, pelo menos uma das minhas.

Pode restar a pergunta: “Se tu leste o livro em novembro, por que só agora a postagem?”
Simples, quando li o livro em outubro, como algumas idéias ainda estavam meio bagunçadas e minhas categorias ainda não tinham sido construídas, eu não pude dimensionar tudo isso. Até que ontem a noite, peguei novamente o livro do Zeca e pronto!

Mas afinal, pra que serve a história?

Ainda não sei ao certo. E pra ser ainda mais sincera, digo que estou escrevendo isso pra ver se as idéias se ordenam, pelo menos pra mim.

Às vésperas de entregar a dissertação vem aquele momento difícil. Analisar o que foi escrito e encaixar uma coisa na outra e tacar fora o que está sobrando... Isso era o que a minha orientadora da graduação – economista, cartesiana – me dizia... Estou nesse processo aí...

Meu segundo capítulo trata exatamente da história... Busco na história do turismo traços de roteirização e marcas das categorias de análise que adotei para o meu estudo. Acho que sei o porque a história serve, mas só acho! A minha dúvida, de fato, está na organização dessa história. Por que cada autor trabalha com uma periodização diferente? Seria uma questão de método, de fontes, ou...?

A dúvida surgiu quando tentei dar sentido à essas periodizações. O paradigma do Pós-Turismo, conforme proposto por Molina me parece o mais “completo”, ou pelo menos o que melhor abriga a periodização dos autores com os quais tenho trabalhado.

Pois bem... Tenho tentado organizar essas periodizações dentro de uma estrutura lógica, que agora, depois de estruturada me fez achar que é a coisa mais simples do mundo, apesar de estar trabalhando nessa tentativa desde dezembro e só agora ter conseguido. Anyway, seja como for, quando consegui estruturar pensei que a partir daquele esquema poderia elaborar um bom artigo com uma síntese da história do Turismo, abordando as questões inerentes a essas periodizações adotadas pelos autores. Mas aí bloqueei! Não sei exatamente porque, mas não sei sequer por onde começar. Acho que preciso descansar as idéias. Tenho pensado demais esses dias e meus pobres neurônios têm reclamado hehe.

O problema é que queria enviar esse tal artigo pro SeminTur, em Caxias, na UCS, mas acho que não vai rolar e vai acabar ficando pra Amphort... Uma “pena” porque estava super afim de escrever logo sobre isso, acho que vai ficar super bom, mas pra isso, não pode ser uma proposição prematura e como, na teoria, tenho ainda um mês pela frente antes da Amphort, posso amadurecer melhor a idéia e discutir com minha orientadora sobre o assunto.

Bom, quanto à História, serve pra nos dar subsídios para o entendimento dos acontecimentos hodiernos, pois é por meio da História que podemos entender o significado das coisas...

Acho então que sei pra que serve a História. O que não sei mesmo é como começar meu artigo, apesar de ter um pensamento desencadeado e todo um arcabouço teórico para desenvolvê-lo... Estou em crise de produção, na verdade. Passei 12 dias lendo e escrevendo feito uma máquina, mas agora... A Duracell me deixou na mão...


Escrito em 24/04/2010

Transcendendo um passado cartesiano em seu legado


Qual o sentido da dialética?

Tenho pensado bastante nisso ultimamente. Talvez pelo fim do mestrado, o que significa o fechamento de mais um ciclo na minha vida, tenha refletido sobre a importância e também as renúncias que fiz por conta disso tudo aqui – o que trás como conseqüência a mudança no gênero dos textos que tenho publicado aqui. Mas acho que isso também faz parte, até porque por várias vezes ouvi alguns colegas do mestrado dizendo que eu devia postar aqui também as minhas angústias em relação a esse processo.

Seja como for, o fato é que eu que sempre quando eu leio minha dissertação, ou melhor, partes dela, porque ainda não a tenho completa, fico super feliz com a forma que ela tomou, com o caráter reflexivo que ela adquiriu e, acima de tudo, com a minha capacidade – muitas vezes posta em dúvida por mim mesmo – de tê-la desenvolvido.

Modéstia a parte, sei que minha pesquisa é super interessante – ao menos pra mim – e que vai dar “pano pra manga” – novamente, ao menos pra mim – porque o mestrado está terminando, mas ainda há muitas dúvidas e muitos pensamentos que gostaria de desenvolver, quem sabe em um doutorado?

Mas não vim aqui pra falar dos meus devaneios, nem dos meus possíveis planos pra um possível doutorado. Já mencionei em uma postagem anterior o quanto foi difícil pra mim levar em frente esse desafio de um pensamento dialético. Esse ir e vir no início me incomodava, da mesma forma que a compreensão da própria pesquisa também levou tempo pra ser assimilada.

Mas depois... quando consegui, finalmente, compreender a dimensão do estudo, fui tomada por uma paixão, por um entusiasmo que não importa quanto tente expressar, não vou conseguir! Está sendo muito prazeroso desenvolver esse estudo, da mesma forma que foi sofrido. Sofrido pelo meu contexto de vida, pelas mudanças, e principalmente pelo legado cartesiano.


Escrito em 23/04/2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

às vésperas da entrega....

O pesquisador, ao iniciar seu processo de investigação, defronta-se com muitas possibilidades de caminhos a serem percorridos. O projeto de pesquisa pressupõe alguns, indica outros, mas o percurso, na sua totalidade, será construído em concomitância ao processo de investigação. Por essa razão, o resgate dos caminhos percorridos durante meu estudo para tornar claros os procedimentos metodológicos adotados para realizá-lo, me levou a pensar nas decisões e indecisões, as certezas e as muitas dúvidas inerentes ao processo.
A dúvida, aliás, foi o grande mote no desafio inicial em pesquisar o tema roteiro turístico. Dúvidas em relação ao tratamento dado pelo mercado, mas também inquietações teóricas muito amplas, pelo aporte acadêmico ao tema, adotando acriticamente as suposições do senso comum em relação ao assunto. Enquanto a pesquisa avançava, a inquietação em relação ao roteiro turístico e à roteirização só fez aumentar. Mas, também se mostrou indissociável, para mim, a reflexão teórica e a construção metodológica. Portanto, às vésperas (ainda tenho um mês) da entrega do "copião" me pus a pensar nesse percurso reflexivo percorrido, vivenciado e, em muito, sofrido, talvez, acima de tudo, SOFRIDO!.

Não quero aqui apresentar o método ou meus percursos teórico-metodológicos adotados para o desenvolvimento da pesquisa, mas também os conflitos que surgiram durante sua construção. Conflitos estes importantes não apenas para a edificação do conhecimento, mas igualmente importantes para o meu crescimento intelectual e pessoal.

Em sua proposta inicial, minha pesquisa não buscava por um conceito ou compreensão contemporânea para o termo "Roteiro Turístico". A dimensão reflexiva que tomara fez-se a partir de conversas instigadoras entre orientadora e orientanda. Durante todo o processo iam surgindo questionamentos e incertezas. A complexidade que a pesquisa ia tomando, a partir dessas conversas e das leituras feitas, não fora percebida a princípio. Ou talvez seja mais seguro dizer que, em função da complexidade tomada pelas discussões e trocas de idéias com outros professores e colegas de turma, não se pode, a priori, ter idéia da dimensão que a proposta de pesquisa estava tomando.

Hoje, compreendo que a dúvida, a incerteza e as ambiguidades que surgiam isso faziam parte de um processo de construção de sentido não só para a compreensão de Roteiro Turístico, mas acima de tudo, construção do significado de pesquisa, reconhecimento da importância de troca de idéias e discussões.
No entanto, antes de chegar a um sentido concreto para a proposta da pesquisa, ou melhor, antes de se ter percebido a dimensão que o estudo tomara, questões como “Para que serve o que estou me propondo a fazer?”, “Como ligar os conhecimentos adquiridos entre si?”, ou ainda, o que parecia mais angustiante: “Qual a relação da minha proposta, dos estudos que estou realizando, com a vida, com o Turismo e com o Sujeito que viaja?” surgiram e me fizeram perceber que por ter tido uma formação impregnada por posturas cartesiana e positivista, o exercício de um pensamento dialético e a convivência com as contradições seriam meus maiores desafios.

Esse cenário mudou a partir das leituras, mas acima de tudo, das discussões em sala de aula com disciplina “Turismo e Contemporaneidade”. A disciplina proporcionou o resgate de leituras que já haviam sido feitas, debates relevantes para a construção de sentido, permitindo ainda, o que se considera mais importante para a realização deste estudo: que o sentido dos saberes ali adquiridos e discutidos fosse suficientemente interiorizados, proporcionando a descentralização do conhecimento, observando-o sob óticas, perspectivas diferentes, relacionadas com a vivência de cada um dos alunos ali presentes. Com a ajuda de outros professores e das aulas na Oficina de “Leitura e Produção de Textos de Circulação Acadêmica”, pode-se finalmente, depois de compreendido, chegar à pretensiosa produção de saber, já que, depois de percorrido esses caminhos, finalmente o sentido havia sido construído.

Com isso, as inquietações acima expostas deram lugar ao prazer que trouxe consigo o sabor do problema de pesquisa, a paixão pelo tema e a felicidade por, apesar de muitas vezes ter-se deixado fraquejar, mas tendo superado os obstáculos impostos pelo processo com a ajuda e apoio de muitos, levei em frente o desafio, e descobri que não basta ter aprendido conteúdos para ser capaz de pensar, pois a construção intelectual transcende o mero acúmulo de conhecimento.

... Apenas um desabafo...