sábado, 26 de fevereiro de 2011

No ar: Revista Rosa dos Ventos Num. 2, Vol. 2

O exercício do Turismo, tanto nas suas práticas como nas suas teorizações, supõe uma série de interfaces, que uma revista especializada deve consagrar em seus espaços. Nesta edição, a Revista Rosa dos Ventos percorre em suas sessões, alguns desses caminhos instigantes.

No grupo dos artigos, Ivan Rêgo Aragão, Beijanine Ferreia Abadia e Khalla Tupinambá analisam duas localidades da Bahia que, embora geograficamente próximas, apresentam modelos diferenciados de Turismo. No artigo “Paradoxos entre Taipu de Fora e Taipu de Dentro/APA de Maraú-Bahia: Turismo e identidade local”, os dois territórios são apresentados e analisados nos seus pontos fortes e fragilidades, tanto na relação com visitantes como com a comunidade local

Os pesquisadores Amli Paula Martins de Miranda e Luiz da Rosa Garcia Netto nos trazem a discussão do Turismo em outra região, ou seja, a Bodoquena (MS), frente às novas tecnologias. Buscam avaliar como as mesmas estariam contribuindo, ou não, na busca do desenvolvimento regional. O artigo “O papel da internet no planejamento do turismo de aventura e do ecoturismo na Região da Bodoquena” analisa o papel desempenhado por seis portais, na busca de respostas.

O olhar antropológico está presente no artigo “Imaginário e Representações Sociais: A Bordo do Trem de Passageiro Vitória Minas”, assinado por Euler David De Siqueira e Raquel Gotardelo Delage. O objeto dos pesquisadores é a Estrada de Ferro Vitória Minas, uma das poucas que manteve trens de passageiros circulando, após as privatizações realizadas na área. O artigo mostra que a viagem férrea não envolve apenas trilhos, estações e trens, mas também há rico imaginário entre os passageiros, sobre este meio de transporte.

A pesquisadora Luciana de Castro Neves Costa nos apresenta outra importante contribuição, ao recorre ao conceito de paisagem cultural, para lançar um novo olhar sobre o enoturismo. O artigo “Enoturismo e paisagem cultural: A vitivinicultura em nova proposta” propõe, na discussão que provoca, teorizar sobre a pertinência de um deslocamento teórico e utiliza para tal o pensamento em torno da paisagem cultural, para com ele abrir possibilidades de novos olhares também sobre o Turismo

Na seção onde estão os estudos de Casos, temos o artigo “Festa do Pinhão de São Francisco de Paula/RS”, de Airton Negrine. As festas temáticas estão presentes em diferentes pontos do país, mas nem sempre disponibilizam uma estrutura de equipamentos e serviços que garanta a qualidade da experiência nelas realizadas, pelos turistas. A temática, por sua vez, segundo o autor, deve avançar merecer maior respeito e cuidado, por suas implicações socioeducativas e culturais, em termos de sua associação a identidade local.

A seção Memória trás mais um documento na íntegra que, com certeza, significará uma contribuição importante aos pesquisadores da história e do desenvolvimento do Turismo. Trata-se da primeira edição da Revista Estudos Turísticos, editada pela Faculdade de Turismo do Morumbi, a primeira a ser criada no Brasil. Em suas páginas, o novo curso é ricamente apresentado, sem deixar de lado a importante discussão sobre a concepção de turismo que deveria orientar os estudos nela realizados.

Boa leitura!

Eu não quero ser professora


Eu queria ser arqueóloga ou antropóloga. Bem, na verdade, qualquer coisa que fosse, de fato, dinâmico, desafiador e que me proporcionasse aprendizado e desenvolvimento intelectual constante, já que eu AMO aprender!
Eu estudei “Ensino e Aprendizagem de Inglês como Língua Estrangeira” como forma de “fugir” das pressões que o mestrado, naquela época, estava me impondo. Mas no fim do meu percurso tanto da especialização quanto do mestrado (acadêmico) eu cheguei à conclusão de que eu não quero ser professora. Eu não podia me imaginar (e ainda não posso) não aprendendo mais e, rigorosamente (como eu vejo em muitos casos), seguir materiais impostos, não importando quem são os alunos, o que há atrás dos muros da escola ou o quanto eles estão, de fato, apreendendo uma informação, já que existe um conteúdo a ser vencido. Bem, agora, quase um ano após o término da especialização, eu ainda não quero ser professora!

Sim, eu não quero ser professora!

Não, se ser professora significa ser uma pessoa que vai todos os dias à uma sala de aula, senta-se e começa a lição com palavras como “abra o seu livro na página....”
Não, se ser professora significa sempre se queixar dos alunos e usar caneta vermelha para corrigir os trabalhos como forma de mostrar-lhes o quanto eles ainda precisam aprender.
Não, se ser professora significa ser uma pessoa que pensa que ensinar é um trabalho em que não há desenvolvimento mais profundo, ou ainda, que aprender não é mais necessário.

No entanto, eu tenho um trabalho e mesmo que pudesse não o mudaria.

“Aprendendo você ensina; Ensinando você aprende” (Provérbio Latino)

Eu encontrei alegria e felicidade em um trabalho onde eu posso (com esperança) inspirar, motivar e apoiar o ensino, além de explorar oportunidades que nos são oferecidas ao nosso redor. Você pode chamar de moderador, facilitador, mentor, ou simplesmente professor, se você insistir. E, além disso, eu descobri que esse trabalho envolve o que eu sempre busquei: aprendizado constante, desenvolvimento constante e criatividade. Eu penso que eu não poderia querer mais.

Tenho encontrado no meu caminho fellows com pensamentos e opiniões similares e, onde quer que eu vá, eu tento influenciar e inspirar (novamente, com esperança), aqueles (alunos e professores) que encontram dificuldades em buscar inspiração por si próprios.
Dessa forma, eu não me vejo como simplesmente professora (pelo menos não na conotação geralmente aceita, descrita acima).

Mas o que isso significa para os meus alunos?
Bem, de forma geral, eu acho que eles descreveriam como “esperar pelo inesperado”. Na minha pequena experiência, eles geralmente se chocam (no sentido literal do terno), mas eventualmente se acostumam com meu método e aceitam qualquer tipo de “experimento” no ato de aprendermos (juntos!) um novo idioma.
Eu admito que às vezes eu falho ou encontro obstáculos que foram impostos por eu mesma. Mas, isso também me ensina alguma coisa nova (again and again).
Uma das coisas mais fascinantes em todo esse “experimento” é que eu ganho realmente MUITO com tudo isso, muito mais do que eu podia esperar. São momentos em que eu preciso buscar e revelar habilidades que eu desconhecia possuir (como cantar e atuar em sala, contar – ou melhor – inventar estórias, contar piadas – nunca fui boa nisso! – ambíguas).
Outra coisa maravilhosa é que tenho a chance de utilizar todos esses estilos, variações, técnicas e possibilidades para ajudar os meus alunos a verem o que há e acontece ao redor deles e como utilizar isso em favor próprio, mas também ajudá-los a encontrar seus próprios caminhos para a aprendizagem (que não começam, tampouco terminam na sala de aula).
Sim, eu não me sinto como professora e os ACTANTES na minha sala de aula, certamente, não são aqueles que possam ser chamados apenas de ALUNOS.
Agradeço imensamente as jovens pessoas que compõem não apenas as turmas de aula, mas também o meu mais recente desafio. Desafio não apenas de trabalho, mas também de aprendizagem!

Retornando após longa ausência


Estive ausente do blog desde o fim da dissertação. Justifico: sob o título “Diário de Pesquisa” e, com o término do mestrado, acabei ficando sem assunto para comentar por aqui. Isso não significa que deixei de pesquisar neste meio tempo. Ao contrário, tenho buscado e trabalhado – não tão intensamente quanto gostaria – para entrar em um Programa de doutorado, mas infelizmente até agora não consegui. Meu percurso nessa busca, bem como minhas tentativas, até agora frustradas, serão expostas aqui, aos poucos.

Após o término do mestrado postei duas únicas vezes. Posts que não são válidos, já que os copiei do blog do PPGTur da Universidade de Caxias do Sul (pelo qual também sou responsável, ainda!). Portanto, essas postagens perdem o critério de “autenticidade”.

Bom, toda essa “prolixidade” para dizer que a partir de agora voltarei às atividades e ao compromisso com o meu blog, o qual pretendo manter por pelo menos mais cinco anos sob o título “Diário de Pesquisa”, se é que o doutorado vai me permitir.

A ênfase na relação “blog diário de pesquisa” e doutorado, à primeira vista pode parecer que considero não haver pesquisa se não houver vínculo institucional a um Programa de Pós-Graduação. Mas já me resguardo dizendo que sei que é possível e há pesquisas sem que tal vínculo esteja formamente estabelecido. No entanto, minha insistência parte do objetivo primeiro pelo qual criei este blog (confira o primeiro post). Por esse objetivo, então, relaciono uma coisa à outra.

Apesar de manter o título original do blog, o espaço não estará relacionado apenas às minhas pesquisas, já que atualmente estou trabalhado com ensino de inglês para três turmas do ensino médio de uma escola em uma ilha de Belém. E, como o meu mundo deixou de ser apenas o da pesquisa de mestrado (que gerou o blog), trarei para este espaço algumas divagações, dificuldades e acertos nesse meu novo percurso.

Preciso admitir que nunca me imaginei atuando como professora em nível médio. Porém, é igualmente necessário registrar que não apenas estou amando a experiência, como também estou aprendendo muito, o que me deixa muito feliz! O feedback positivo dos alunos é um fator motivacional extra. Minhas primeiras impressões sobre este desafio, você encontra aqui.