terça-feira, 26 de abril de 2011

Entre o fazer e o pensar Turismo

Dizem que a voz do povo é a voz de Deus... E, outro ditado popular bastante conhecido, diz o seguinte: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço"

Nuca fui uma boa "Turista", a não ser que eu esteja muito bem acompanhada com um(a) "turista modelo". Meu comodismo das minha rotinas espaço-temporais me acompanha também quando estou fora dessas rotinas.

Há duas semanas atrás (sim, como sempre, post atrasada)fui à Cotijuba, umas das 79 ilhas ao redor de Belém, entre as 14 que são usadas com fins turísticos. Minha motivação em ir a Ilha era planejar uma visita dos meus alunos da Cooperativa paulo Freire ao Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém, responsévl pela extração das raízes utilizadas pela Natura para a produção das essências Ekos.

Bom, deixando a minha prolixidade de lado....

Na minha dissertação afirmo que:

"No Pré-Turismo o homem percorria o espaço a seu próprio tempo e sem mediações externas, apesar de há haver a iminência de uma tecnologia, ainda rudimentar aos parâmetros atuais, mas dava ao indivíduo nômade a possibilidade de percepção do espaço percorrido. Com o Turismo Industrial, com o advento das técnicas que impulsionaram o desenvolvimento dos meios de transporte, o homem deixa de perceber o percurso. Emerge a idéia de que percorrer um espaço seria algo sofrido. A velocidade dos transportes surge como resposta a esse sofrimento. Procura-se eliminar, apagar a sensação de se estar percorrendo um espaço. O espaço, nesse período, é simplesmente vencido pelo viajante. Já no Pós-Turismo, a definição de longe e perto é totalmente relativa e presa a percepção, ainda que continue relacionada à velocidade dos meios de transporte, mas também dos meios de comunicação e das tecnologias da informação. O espaço, hoje, deixa de ser mensurado por escalas espaciais e passa a ser mensurados também pelo tempo." (CISNE, 2010, p. 68).

Com essa crítica ao "modelo Industrial" de turista, que vê o percurso como algo sofrido e com a proposta de que se aprecie o percurso, eu cavei minha cova e percebi que sou bem melhor (perdão pela autossufiência conceitual - hehe) pensando o turismo, do que efetivamente fazendo turismo.

O fato (constrangedor) é que ao entrar no barco para cotijuba, sem pensar duas vezes, chequei as horas e percebi que ainda tinha certa de 70 minutos até atracar no trapiche da Ilha. Novamente, em um ato mecânico, abri o livro que trazia comigo e retomei minha leitura. Já no meio da baía me dei conta que eu estava, por meio da leitura, tentando anular a experiência de espaço percorrido. O mais curioso ainda, foi que percebi uma mudança na paisagem... E, por ter estado destraída com a leitura, fiquei na dúvida se houve algum tipo de mudança naquela paisagem rieiras nos 5 anos em que não fui a ilha, ou se o barco tinha tomado um rumo diferente. Pensei que no retorno iria dar mais atenção ao percurso a proveitar a paisagem ribeirinha amazônica que tanto senti saudades enquanto estava no Sul.

Para minha surpresa, no retorno, tomei a mesma atitude mecânica. entrei no barco e me pus a ler! O pior é que só me dei conta disso quando estávamos a uns 200m de distância do trapiche de Icoaraci. Apesar da satisfação de ter conseguido acertar todos os detalhespara a visita com os alunos, fiquei extremamente frustrada com a minha incapacidade de "fazer" Turismo da forma como veno defendendo....

Mais tarde, para completar a frustração, recebi a notícia da coordenação da escola que não iríamos mais levar os alunos a Ilha.