terça-feira, 3 de maio de 2011

Projeto Pedagógico: Amazônia dos povos, das águas, da floresta (parte II)


Como prometi, vou aqui dissertar, brevemente, sobre os pontos que julgo relevantes para o tema “Tecnologia Sustentável”, que infelizmente não tive tempo de desenvolver em sala de aula (isto fica à cargo da parte 03).
O mais interessante nisto tudo é que ontem iniciei o debate com a turma de enfermagem sobre o tema tecnologia e em alguns meses também falaremos sobre sustentabilidade.

Mas vamos potencializar... (mais um capítulo da minha briga contra minha prolixidade)

Quando se fala em tecnologia pensamos, de imediato, nos instrumentos high-tech que temos hoje em dia, sem os quais, a maioria de nós não conseguimos nos imaginar. Mas é interessante notar que a roda, o fogo, a bússola, são igualmente tecnologias (ainda que rudimentares aos padrões hodiernos) que revolucionaram sua época, da mesma foram que os iPhones, iPads, Netbooks, etc, revolucionam hoje em dia.

Pensar que a música é uma tecnologia, proveniente da técnica de tocar violão, ou que as águas de cheiro também são tecnologias frente à técnica de produção de perfumes. Isto incita outro debate igualmente relevante: durante o Fórum Social Mundial de 2008, realizado na capital paraense, o então secretário de Comunicação do Estado, Castro, apontou cinco monoculturas da Amazônia, dentre as quais destaco a monocultura do saber, que validade apenas o academicismo prosaico, esquecendo do saber tácito, autóctone das comunidades tradicionais, ou do que também é chamado de “tecnologias sociais”.

Nesse mesmo sentido, pensar sustentabilidade nos encaminha a pensar em meio ambiente. Contudo, existem outras esferas igualmente importantes nas dimensões conceituais de sustentabilidade: os níveis culturais, econômicos e sociais.

A partir disso, me questiono, as tecnologias amazônicas que não agridem o meio ambiente estão tendo as esferas culturais e sociais garantidas?

Tive três ideias para trabalhar com os meninos do primeiro ano: pesca artesanal, coleta de açaí e extração de raízes. O mais incomum à realidade dos alunos de Mosqueiro, conforme pude observar eram as raízes de “cheiro cheiroso”. Penso que o objetivo de um projeto pedagógico de escolas é exatamente esse: proporcionar aos alunos um convívio social e intelectual de amadurecimento com o que é diferente e novo, ou pelo menos, pouco conhecido. Isso justifica a opção pela extração de raízes para a produção de perfumes.

Acredito que poucos dos alunos tinham tido algum contato com o tema, em sua especificidade. Então, penso que a oportunidade de ter trabalhado com ele trouxe oportunidades de aprendizagem a todos nós. Quanto a mim, de forma específica, aprendi um pouco mais sobre o assunto, mas o mais gratificante, além do convívio com os alunos fora do contexto da sala de aula, foi a chance de conhecer um casal maravilhoso residente na Ilha, os que atendem no bazar do Espanha.

O povo paraense, na verdade, nortistas e nordestinos são conhecido Brasil a fora pela sua hospitalidade, mas preciso ressaltar que a hospitalidade desse casal não só me tocou, como me surpreendeu! Foram solícitos, atenciosos e, acima de tudo, abertos à nossas dúvidas.

Alunos, eu realmente espero que a experiência que compartilhamos tenha sido tão proveitosa para vocês como foi para a tia. Infelizmente, nem todos do grupo tiveram a chance de conhecer esse casal e aproveitar sua hospitalidade, simpatia e, ainda mais, apreciar a beleza do conhecimento tácito, popular.

Bin laden Death?!


Embora não seja o meu foco neste blog comentar acontecimentos como este, não poderia me abster.
Há um tempo venho pensando sobre as dualidades e paradoxos do mundo em que vivemos. A morte de Osama Bin Laden aguçou essa questão na minha mente inquieta.

Antes de tudo, quero esclarecer:  Não sou a favor de atos terroristas! Sejam eles quais forem, independente de opção/formação religiosa, contexto social, situação financeira, etc... Acredito que a violência pela violência não pode ser justificada dessa forma.

Não nego que tenho sim, embora ainda não os tenha lido (o período do mestrado causou minha aculturação literária), livros relacionados à família Bin Laden e à Al-Qaeda, o que não indica que sou uma “terrorista em formação” como muitas amigas (próximas!) já insinuaram. Minha curiosidade está no fato de que acredito que toda história tem três versos, e as versões norte-americanas desse sujeito, são no mínimo duvidosas.
Mas, vamos lá: Obama diz que a morte de Osama concretiza uma Justiça. Antes, porém, vamos chamar um amigo meu a essa postagem: Aurélio.

Jus.ti.ça: (latim justitia, -ae, conformidade com o direito, equidade, bondade)
s. f.
1. Prática e exercício do que é de direito.
2. Conformidade com o direito.
3. Direito.
4. Rectidão!.
5. Magistrados e outros indivíduos do foro.
6. Poder judicial.
7. Lei penal.
8. Punição jurídica.
9. Uma das quatro virtudes cardeais.
de justiçajusto; merecido.
fazer justiçaobrar ou julgar segundo o que é justo

Então me responda, a postura dos EUA condiz com a ideia de Justiça, ou se aproxima mais do que o Aurélio chama de Vingança.

Vin.gan.ça: (vingar + -ança)
s. f.
1. Acto! ou efeito de vingar.
2. Atitude de quem se sente ofendido ou lesado por outrem e efectua! contra ele uma acção! mais ou menos equivalente. = desforço, desforra, represália

Afora essa questão, pergunto:  como um país que mete o bedelho na cultura alheia, como o fez várias vezes no próprio Paquistão, naquilo que os americanos classificam como “direitos humanos” tem uma atitude de “matar e não apenas localizar” Osama Bin Laden.

Não, não tenho uma postura anti-norte-americana, apenas discurso e prática don’t match.
Ainda, em nome dos direitos humanos, porque os EUA não “defendem” nossos índios brasileiros que passam por rituais de sacrifício?

Seria de fato uma questão de Direitos Humanos ou apenas uma disputa político-ideológica?

Novamente, não defendo as atitudes de Bin Laden, mas devemos combinar que como estrategista, ele foi/é um gênio, ainda que sua genialidade tenha sido utilizada de forma nada amistosa e positiva.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Projeto Pedagógico: Amazônia dos povos, das águas, da floresta (parte I)


No último sábado, dia 30 de abril, tivemos na Cooperativa Centro de Estudos Paulo Freire a culminância do projeto Amazônia dos povos, das águas, da floresta. Sob minha responsabilidade estava um grupo de 10 alunos da turma do 1º ano do ensino médio. Essa turma tinha a “Tecnologia Sustentável” como tema.
Para ser sincera, falar de Amazônia sempre me deixa orgulhosa, navegar pelas nuances e riquezas que o tema me permitia, era um dos meus objetivos, ainda mais tendo como subtema a Tecnologia, que, igualmente, tanto me encanta (postarei mais sobre isto na Parte II).
Honestamente, por afinidade de tema, gostaria de ter ficado com a turma do 3º ano, que falaria sobre o Resgate da Identidade Amazônica. No entanto, por afinidade, faria a escolha pela turma do 2º ano. Mas, a melhor surpresa veio com a oportunidade de trabalhar com o grupo do primeiro ano.
“As aparências enganam”. Sim, de fato, as aparências enganam, e muito!
Como já postei aqui nunca quis ser o tipo de professor que ameaça seus alunos por meio de provas, rigidez e secularismo da sala de aula. Planejo uma aula que seja legal para os alunos, para o modelo de ensino e metodologia educacional da escola e, claro, para que eu possa desenvolver o papel não de Grande-Sabedor, mas de facilitador no processo de ensino-aprendizagem de Inglês.
Gosto de manter um relacionamento de igual para igual com os alunos. Em que haja abertura e diálogo entre ambas as partes e, como consequência desse relacionamento, um grato e eficaz aprendizado. Infelizmente, esta turma me obrigou a mudar meu método de aulas e tive que retroceder. Uma pena, para ambos os lados, eu penso. Logo no início, imaginei que teríamos um ano letivo ahead muito animado, cheio de experiências compartilhadas e um aprendizado divertido e amigável. Me enganei. Isso, porém, não me fez criar nenhum tipo de ranço com a turma. Não deixei de me envolver com os alunos, com os que me dão abertura, compartilhar momentos de alegria e até mesmo de angústia, quando alguns deles precisaram de um ouvinte. Sim, continuei e continuarei aberta aos meus alunos, não só os do 1º ano, mas todos. Apesar do modelo tradicional de aula que venho aplicando atualmente, ainda invisto bastante tempo no planejamento de aulas, na correção de exercícios, etc.
Contudo (e deixando minha habitual prolixidade de lado), preciso confessar que o tempo compartilhado com esse grupo foi único. Pudemos, acredito eu, aprender um com o outro. E muito mais do que isso, pudemos nos conhecer melhor! Como qualquer trabalho de grupo, como qualquer relação professor-aluno, houve alguns atropelos (os quais acredito terem sido devidamente explicados, compreendidos e, portanto, superados), mas isto é regra! A exceção está no fato de que, afora os atropelos, aprendi um monte com esses alunos! Aprendi a compreendê-los melhor, pude observar as peculiaridades de cada um deles, mas acima de tudo, e o mais importante, é o fato de que pude observá-los em suas individualidades e perceber seus comportamentos enquanto sujeitos sociais, o que o limitado tempo e espaço de sala de aula não me permite, infelizmente.
Agradeço à coordenação da escola pela oportunidade que me foi dada de compartilhar esse tempo (ainda que curto) com esses alunos. Mas, agradeço ainda mais aos alunos pela chance de convívio. Obrigada à Monique, ao Murilo, à Naila, à Paula, ao Pedro Henrique, ao Ramiz, ao Sandro, ao Sávio, à Talita e ao Thúlio, não só ao tempo compartilhado, mas pelo crescimento que me vocês me proporcionaram, pois vocês me ensinaram que um professor precisa compreender o seu aluno enquanto ser social, nas suas práticas diárias, em seus relacionamentos cotidianos, enquanto ACTANTE e não apenas como Sujeitos em uma sala de aula.
Infelizmente, não temos, enquanto professores, oportunidades tão gratificantes como esta, de compartilhar tempo com os alunos fora de sala de aula. Isto certamente abriria nossos olhos à compreensão de comportamentos criticados negativamente em situações de sala de aula.
De coração, alunos, a tia espera que para vocês esta experiência tenha sido tão gratificante como foi para ela.
Até a próxima!