sexta-feira, 3 de junho de 2016

Turismo: um campo que exige competênciaS

Há alguém que dizia que "Quem só Direito sabe, não sabe direito". 

Acredito que isso se aplica ao Turismo: Quem só Turismo sabe, não sabe turismo (direito). 

É muito comum lermos em livros e ouvirmos dizer por aí que o Turismo é um campo multifacetado, multidisciplinar, multi qualquer coisa. Mas o que isso, de fato, significa?

Isso significa que saber sobre viagem não lhe capacita para o saber sobre Turismo. Isso significa que o para compreender sobre Turismo você precisa conhecer múltiplas áreas: economia, sociologia, antropologia, marketing, história, geografia, comunicação, filosofia, psicologia, biologia, administração, RH, contabilidade... Ufaaa!!! A lista é grande!! Enorme, pra dizer a verdade. 

Saber turismo é mais do que ter conhecimento sobre todos esses campos; é ter a competência de articular esses conhecimentos e perceber que existe uma interligação entre eles, aquilo que Morin chamou de complexidade, o latim complexus, tecer em conjunto!

Não sou filósofa, mas como turismóloga tenho a obrigação de saber que a Filosofia Clássica (Grega) cunhou dois termos importantes: doxa, a opinião, que é também, ironicamente, chamada de "A falha do filósofo"; e episteme, que por sua vez, refere-se ao conhecimento, o conhecimento, dito verdadeiro, não por ser verdade em si e, portanto, irrefutável, mas por ter natureza científicaA oposição da episteme à doxa se dá pelo fato de que o conhecimento se opõe à opinião, saber infundado ou irrefletido.

Discutir turismo não pode e nem deve se reduzir à doxa; não é para isso que precisamos de bacharéis em Turismo. Ser Bacharel em Turismo é pensar no nível epistêmico, calcado em conhecimento com fundamento científico, conduzido por uma teoria e analisado à luz de um método.

Apropriar-se dos termos técnicos da área e das teorias que alimentam o Turismo para compreender sua complexidade é fundamental para que seu discurso transcenda a Doxa e, assim, você possa, quem sabe, alcançar a espisteme do turismo, que preciso dizer, transcende a noção de "um destino de sol e mar".

sábado, 30 de abril de 2016

Roteiro Turístico, sobre a angústia da escrita

Eis então, que depois de colecionar quatro anos de rabiscos dispersos tomo a coragem de escrever um artigo o que tenho pensado acerca do tema roteiro turístico.

Dou a impressão de escrever muito depressa, mas escrever sobre roteiro turístico me traz um sofrer imenso...

Há sempre um limite nas páginas que posso escrever e mesmo que escrevesse 300 páginas, ainda assim isso não retrataria a verdade, senão a desordem de meus pensamentos em uma tentativa vã de organização do saber, tão disperso, tão ignorado, tão banalizado.

Este escrito é para mim um desafio, e não resposta.

Ao contrário de muitas outras publicações em que as considerações são finais, as minhas são pontos (no plural) de partida, pois ainda restam muitas incertezas e outras inúmeras contradições, para as quais ainda não tenho repsostas, mas também não sei se são de respostas que eu preciso.

Mas assim é que se faz ciência, e talvez este seja seu grande mérito: nunca se encontra o que se procura. No meu caso, eu sempre encontro o que não procuro e me vejo ali, em meio a um vespeiro, ou abrindo a caixa de Pandora.

Quando penso estar frente ao simples e ao óbvio, me dou conta que inverter o problema se faz necessário.


Resta, portanto, a angústia, própria de um pensamento inacabado, que não pode, por sua complexidade, abarcar o todo.